Política · Justiça

Decisão de Kassio Nunes Marques no TSE favorece bolsonaristas na reta final do segundo turno

Presidente do TSE libera algoritmos de recomendação para candidatos já eleitos, medida que beneficia aliados de Flávio Bolsonaro nas redes sociais.

Em uma decisão que altera as regras do jogo eleitoral na reta final do segundo turno, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, enviou um ofício às plataformas digitais liberando a recomendação algorítmica de perfis e conteúdos de candidatos que já garantiram a vitória no primeiro turno.

A medida, revelada pela jornalista Patrícia Campos Mello e Ana Gabriela Oliveira Lima, da Folha, atende a pedidos de parlamentares bolsonaristas, como o senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO). Até então, as redes sociais mantinham uma interpretação conservadora da resolução do TSE de março, que restringia a entrega algorítmica de perfis de todos os candidatos para evitar o impulsionamento orgânico desproporcional durante o pleito.

Com a nova determinação de Kassio, a restrição passa a valer exclusivamente para os candidatos que ainda disputam o segundo turno, como o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na prática, figuras de peso da direita, como Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro, voltam a ter seus conteúdos impulsionados automaticamente pelos algoritmos, potencializando a campanha em favor de Flávio Bolsonaro sem a necessidade de gastos com impulsionamento pago.

Dados da empresa de análise de dados Zeeng reforçam que a decisão tende a favorecer o campo da direita, que concentra os perfis com maior engajamento e influência no Instagram. Entre os 100 políticos mais influentes do primeiro semestre de 2026, 55% são de direita, sendo que 40% pertencem ao PL.

A decisão do ministro tem gerado críticas no meio jurídico. Marilda Silveira, professora de direito eleitoral no IDP, questionou a competência de Kassio para alterar a interpretação de uma resolução de forma monocrática. Segundo a especialista, o tema deveria ter sido submetido ao plenário do TSE. Para Silveira, a mudança no meio do processo eleitoral permite uma 'conta de chegada', beneficiando quem já possui maior base de acesso ao eleitorado nas redes sociais.

Fonte: ICL Notícias

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