Política · Justiça

Gestão de Kassio Nunes Marques no TSE gera crise interna e suspeitas de manobras pró-Bolsonaro

Presidente do TSE é alvo de críticas de colegas por abandonar promessa de autocontenção e adotar decisões que favorecem a campanha de Flávio Bolsonaro.

A gestão do ministro Kassio Nunes Marques à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem provocado um racha interno e preocupações entre seus pares. O que começou como uma promessa de uma corte autocontida e com interferência mínima nas disputas políticas, feita em sua posse em maio, transformou-se, segundo magistrados, em um ativismo que favorece a campanha de Flávio Bolsonaro (PL).

Nos bastidores, a atuação de Kassio é descrita como um "tratoraço". Entre as decisões que geraram maior desconforto estão a suspensão de pesquisas eleitorais, o uso do poder de polícia para derrubar canais de apoio a Lula (PT) — atropelando o relator original do caso — e a validação da candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado, contrariando decisão anterior de um colega. Além disso, o presidente do TSE tem interrompido julgamentos virtuais onde já havia maioria formada a favor do petista.

Segundo informações divulgadas pelo jornalista Rodrigo Andrade, do ICL Notícias, um grupo de ministros composto por Floriano de Azevedo Marques, Ricardo Villas Bôas Cueva, Estela Aranha e Sebastião dos Reis Júnior tem se articulado para discutir reações a essas manobras. A avaliação é de que Kassio busca inflamar o Supremo Tribunal Federal (STF) para gerar intervenções que, na visão da ala crítica, poderiam ser exploradas politicamente pela campanha bolsonarista.

Diante do cenário, integrantes do TSE têm alertado ministros do STF, como Flávio Dino e Gilmar Mendes, para que mantenham cautela e evitem cair em armadilhas que possam reverter ordens da corte eleitoral. A preocupação é que decisões do Supremo sejam interpretadas como ativismo judicial, gerando desgaste público.

Em sua defesa, Kassio Nunes Marques nega qualquer favorecimento e afirma que suas decisões seguem um "padrão decisório". O ministro sustenta que a judicialização é provocada pelas próprias partes e que ele atua com imparcialidade, citando decisões que também foram favoráveis à campanha de Lula.

Fonte: ICL Notícias

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