Política

A sombra da ditadura: o legado de violência que Flávio Bolsonaro tenta normalizar

Às vésperas da eleição, a trajetória e as declarações de Flávio Bolsonaro sobre o regime militar colocam em xeque seu compromisso com a democracia e os direitos humanos.

Foto: Flávio Bolsonaro Crédito: Reprodução/IA · Original e licença

A proximidade das eleições presidenciais, marcadas para o próximo domingo, 25 de outubro, impõe ao eleitor brasileiro uma reflexão profunda sobre o passado e o futuro do país. No centro do debate está a candidatura de Flávio Bolsonaro, cuja trajetória política é marcada pela defesa explícita da ditadura militar e de figuras reconhecidas judicialmente como torturadores, como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Em seu livro 'Mito ou verdade', Flávio Bolsonaro nega o golpe de 1964 e classifica Ustra como um 'homem correto, íntegro'. Essa postura não é isolada. O clã Bolsonaro mantém um histórico de homenagens a agentes da repressão, incluindo o episódio em que Jair Bolsonaro, hoje cumprindo pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado e planos contra autoridades, exaltou o torturador durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff.

A memória das 434 vítimas fatais e desaparecidas listadas pela Comissão Nacional da Verdade, além dos milhares de torturados, é o contraponto necessário a esse discurso. O autor do artigo, que conviveu com jovens assassinados pelo regime como Honestino Guimarães, Gildo Lacerda e José Carlos da Mata Machado, alerta que a glorificação do terrorismo de Estado não é apenas uma divergência política, mas uma ameaça à dignidade humana.

O texto destaca que a continuidade ideológica proposta por Flávio Bolsonaro — que prometeu a presença de seu pai na rampa do Planalto em caso de vitória — representa um risco real. A tentativa de reabilitar um regime que sequestrou, torturou e ocultou cadáveres desafia os valores democráticos e exige que o eleitor avalie o custo de entregar o comando do Estado a quem despreza a memória das vítimas e a própria Constituição.

Fonte: Brasil 247

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