Política · Justiça

A rede oculta dos candidatos: como perfis de apoio driblam a fiscalização eleitoral

Investigação revela que políticos de diversos partidos mantêm exércitos digitais não declarados ao TSE para ampliar alcance e contornar restrições de recomendação das plataformas.

Foto: O mesmo corte da entrevista à Globo foi divulgado pelo perfil oficial de Flávio e uma das páginas de apoio com minutos de diferença. A única diferença foi a inclusão de letterings. Foto: Reprodução / Redes sociais · Original e licença

Uma tática digital tem se tornado comum nestas eleições: a manutenção de redes de perfis de apoio que operam à margem das contas oficiais declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral. Esses perfis, que somam milhões de seguidores, atuam de forma coordenada para replicar conteúdos e impulsionar a visibilidade de candidatos, funcionando como uma estrutura de propaganda que escapa do escrutínio direto da Justiça Eleitoral.

O levantamento identificou que o Partido Liberal (PL) lidera o uso dessa estratégia, concentrando 66% dos casos mapeados. Entre os exemplos, destaca-se o candidato Flávio Bolsonaro, que mantém ao menos sete páginas de apoio com um público combinado superior a 2,5 milhões de seguidores. Essas contas frequentemente publicam cortes de entrevistas e materiais de campanha com poucos minutos de diferença em relação aos perfis oficiais, direcionando o tráfego para os canais principais do político.

No campo oposto, o deputado federal André Janones, figura central na estratégia digital da campanha de Lula, também recorre a um perfil de apoio no Instagram. Criada em outubro, a página possui 1,6 milhão de seguidores e serve como ponto de distribuição para o canal de WhatsApp do grupo de apoio do candidato petista. Janones justificou a criação da página como uma medida de proteção diante de possíveis derrubadas de suas contas oficiais.

Especialistas em direito eleitoral, como a advogada Caroline Lacerda, observam que essas páginas são utilizadas estrategicamente para contornar as limitações impostas pelo TSE, que restringem a recomendação algorítmica de perfis oficiais de candidatos. Segundo a jurista, essas redes criam um atalho para que o conteúdo circule sem as travas de visibilidade aplicadas às contas registradas, desde que a iniciativa seja espontânea e sem aporte financeiro.

A falta de transparência da Meta, proprietária do Facebook e Instagram, é apontada como um entrave para a fiscalização. O advogado Fernando Neisser ressalta que, embora a existência de perfis de apoio não seja ilegal por si só, o impulsionamento pago de conteúdo eleitoral por essas contas é proibido. A dificuldade reside em identificar se há financiamento oculto ou coordenação direta das campanhas, o que exigiria a quebra de metadados e investigações detalhadas.

Em resumo: - Candidatos utilizam redes de perfis de apoio não declaradas para contornar restrições de recomendação do TSE. - O PL concentra a maioria dos casos identificados, seguido por outros partidos. - Especialistas alertam que a coordenação entre campanhas e perfis de apoio pode configurar abuso de poder midiático se houver financiamento ou direção centralizada. - A opacidade da Meta dificulta a fiscalização de impulsionamentos irregulares e a identificação dos verdadeiros responsáveis pelas contas.

Fonte: ICL Notícias

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