Às vésperas do segundo turno, falhas no transporte ameaçam o voto indígena
Comunidades indígenas recorrem ao TSE para garantir transporte e alimentação, denunciando obstáculos que dificultam o acesso às urnas em regiões decisivas.

Foto: Organizações indígenas cobram medidas para garantir o transporte de eleitores até as urnas no segundo turno (Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado) · Original e licença
A apenas três dias do segundo turno das eleições presidenciais, a logística de transporte para comunidades indígenas tornou-se um ponto crítico de tensão. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um pedido urgente, denunciando que a falta de meios de locomoção e suporte básico está impedindo que eleitores de diversas regiões alcancem seus locais de votação.
O cenário é preocupante, especialmente considerando que, no primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve 82,93% dos votos válidos em 542 seções eleitorais indígenas. Relatos de lideranças, como os do coordenador-geral da Associação Kurikama Yanomami, Roni Raitateri, descrevem situações dramáticas em que eleitores e crianças chegaram a passar três dias sem alimentação adequada enquanto aguardavam combustível para o deslocamento.
Apesar da Resolução nº 23.751/2026 do TSE determinar a oferta de transporte gratuito, o Ministério dos Povos Indígenas apontou falhas graves na articulação logística, denunciando que a pasta e a Funai foram excluídas do comitê responsável pelo planejamento. O Ministério Público Eleitoral também interveio, solicitando providências ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, após receber denúncias de problemas em estados como Amazonas, Pará, Mato Grosso e Minas Gerais.
Em casos específicos, como no Vale do Javari, a pressão de organizações indígenas conseguiu reverter uma negativa inicial da Justiça Eleitoral. Após mobilização, foram garantidos 9.400 litros de combustível para o transporte fluvial, assegurando que as comunidades pudessem exercer seu direito ao voto. No entanto, a insegurança sobre a logística em outras áreas isoladas mantém o alerta ligado para o próximo domingo.
Em resumo
- A APIB e o Ministério Público Eleitoral cobram do TSE medidas emergenciais para garantir transporte e alimentação aos indígenas.
- O Ministério dos Povos Indígenas afirma que foi excluído do comitê de logística eleitoral, prejudicando a organização do serviço.
- A falta de transporte público oficial gera dependência de agentes políticos locais, aumentando a vulnerabilidade das comunidades a pressões eleitorais.
Fonte: ICL Notícias

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