Política

Especialistas rebatem promessa de Flávio Bolsonaro de 'padrão Einstein' para o SUS

Especialistas em saúde pública classificam como fantasiosa a proposta de Flávio Bolsonaro de transformar o SUS no modelo do Hospital Albert Einstein, apontando riscos de privatização.

Foto: Símbolo do SUS (Sistema Único de Saúda), no Super Centro Carioca de Saúde, no Rio de Janeiro - Fernando Frazão - 11.jul.25/Agência Brasil · Original e licença

A promessa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de transformar o Sistema Único de Saúde (SUS) no 'padrão Einstein' — referência ao Hospital Israelita Albert Einstein — foi recebida com ceticismo e críticas por especialistas em saúde pública. Durante o debate da TV Band no último domingo (18), o candidato à Presidência mencionou a ideia, que, contudo, não consta em seu plano de governo e carece de detalhes técnicos.

Para sanitaristas, a declaração é vista como um aceno perigoso à privatização e à ampliação de concessões. Gonzalo Vecina Neto, fundador da Anvisa e um dos idealizadores do SUS, classificou a fala como um sinal de desconhecimento sobre o funcionamento do sistema público. 'Se o Einstein fosse atender o SUS, seria um desastre', afirmou, ressaltando que o hospital privado atende a um nicho específico, enquanto o SUS possui a missão constitucional de garantir acesso universal a toda a população brasileira.

A narrativa ganha contornos de preocupação devido à proximidade de Flávio com o médico Cláudio Lottenberg, cotado para o Ministério da Saúde. Embora Lottenberg tenha tentado suavizar declarações anteriores sobre a alocação de recursos no SUS, especialistas reforçam que a comparação entre uma instituição privada de elite e um sistema universal é inviável. Marilia Louvison, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP, aponta uma contradição fundamental: 'Não tem como aumentar o padrão e cortar ao mesmo tempo', referindo-se à promessa do candidato de realizar cortes bilionários nas despesas públicas.

O SUS, diferentemente de uma unidade hospitalar privada, abrange desde a atenção primária e vacinação até o atendimento em áreas remotas e a gestão de crises sanitárias. A tentativa de importar uma lógica de mercado para o sistema público, segundo os especialistas, ignora a complexidade da rede e pode minar a confiança da população no maior patrimônio da saúde nacional.

Em resumo

  • Flávio Bolsonaro prometeu elevar o SUS ao 'padrão Einstein' sem apresentar viabilidade técnica ou orçamentária.
  • Especialistas alertam que a proposta ignora as diferenças estruturais entre o atendimento privado de elite e o sistema universal público.
  • Sanitaristas apontam que a promessa de cortes bilionários é incompatível com a necessidade de investimentos para elevar a qualidade do SUS.

Fonte: Folha de S.Paulo

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