Promessa de Flávio Bolsonaro para o SUS é alvo de críticas por especialistas
Especialistas em saúde pública apontam que a proposta de levar o padrão de um hospital privado ao sistema universal ignora a realidade do financiamento e a complexidade do atendimento público no Brasil.

Foto: Logotipo azul do SUS em parede de unidade de saúde, com profissionais ao fundo. Foto: Reprodução · Original e licença
A proposta apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante o debate da TV Band, no último domingo (18), de elevar o Sistema Único de Saúde ao nível de excelência do Hospital Israelita Albert Einstein, foi recebida com ceticismo por sanitaristas. O candidato não detalhou como pretende operacionalizar essa mudança, e o tema não aparece em seu plano de governo oficial.
Especialistas na área de saúde pública argumentam que a comparação é tecnicamente inviável e desconsidera a natureza distinta das instituições. Enquanto o SUS é um sistema universal, responsável por ações que vão desde a vigilância sanitária e vacinação até o atendimento de alta complexidade em todo o território nacional, o Einstein atua como uma unidade privada com foco em um público específico.
Gonzalo Vecina Neto, um dos fundadores da Anvisa e figura histórica na construção do SUS, manifestou preocupação com a fala do senador. Para ele, a declaração parece um sinal de que o candidato pode priorizar a expansão de concessões e a lógica da saúde privada em detrimento da estrutura pública. A professora da USP, Marilia Louvison, reforçou que a promessa é contraditória, visto que o candidato defende cortes bilionários no orçamento, o que inviabilizaria qualquer tentativa de elevar o padrão de atendimento.
O médico Cláudio Lottenberg, cotado para assumir o Ministério da Saúde caso o senador seja eleito, também esteve no centro da polêmica. Após a repercussão de um vídeo em que sugeria a otimização de recursos antes de novos aportes, ele alegou que sua fala foi tirada de contexto. Lottenberg defendeu a manutenção do caráter universal do sistema e a necessidade de protocolos de gestão, embora especialistas lembrem que o SUS já utiliza diretrizes técnicas e indicadores de desempenho em sua rotina.
Em resumo: - A proposta de Flávio Bolsonaro carece de detalhes técnicos e não consta em seu plano de governo. - Sanitaristas alertam que o SUS possui obrigações constitucionais e uma escala de atendimento que não se comparam ao modelo de um hospital privado. - Especialistas apontam que a promessa de melhoria é incompatível com a proposta do candidato de reduzir gastos públicos.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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