Política · Economia

O custo social do ajuste: como o plano de Flávio Bolsonaro ameaça o emprego no Brasil

Análise técnica do Dieese revela que o corte de R$ 200 bilhões proposto pelo candidato da extrema-direita pode destruir milhões de vagas e travar a economia nacional.

Foto: Flávio Bolsonaro Crédito: REUTERS/Adriano Machado · Original e licença

A promessa de um corte drástico nos gastos públicos, batizada pelo candidato Flávio Bolsonaro como tesouraço, coloca o país diante de um cenário de incertezas. Enquanto o discurso de campanha foca na redução da máquina estatal, especialistas alertam que a medida pode desencadear uma crise profunda no mercado de trabalho e na renda das famílias brasileiras.

Dados levantados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indicam que um ajuste fiscal na ordem de R$ 200 bilhões teria efeitos devastadores. Segundo a projeção, a economia nacional poderia perder cerca de 2,2 milhões de postos de trabalho, com um impacto negativo de 1,55% sobre o PIB previsto para 2027.

O levantamento detalha que a retirada de recursos da circulação econômica afetaria diretamente o poder de compra da população. A estimativa é que o montante total disponível para pagamentos de salários encolha em R$ 68,7 bilhões, enquanto a arrecadação de impostos sofreria uma retração de R$ 46,8 bilhões, o que comprometeria ainda mais a capacidade de investimento do Estado.

A simulação técnica do instituto aponta que a maior parte do impacto, cerca de 51%, recairia sobre programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, o BPC e o seguro-desemprego. Outros 17% seriam subtraídos das despesas com pessoal, restando 32% para cortes em outras áreas. O Dieese ressalta que o crescimento da dívida pública brasileira é impulsionado majoritariamente pelos juros, e não pelo gasto primário, questionando a eficácia da austeridade proposta.

Em resumo: - O plano de corte de R$ 200 bilhões pode eliminar 2,2 milhões de empregos. - A medida causaria uma retração de R$ 68,7 bilhões na massa salarial nacional. - Mais da metade do ajuste (51%) incidiria sobre benefícios sociais e transferências de renda.

Fonte: Brasil 247

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