Bastidores: Oferta milionária por obra desaparecida de Tarsila envolve banqueiro e figuras da elite
Investigação revela que Daniel Vorcaro, do Banco Master, recebeu proposta para comprar 'O Sol Poente', quadro de Tarsila do Amaral que está sob disputa judicial.

Foto: Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução · Original e licença
O banqueiro Daniel Vorcaro, à frente do Banco Master, foi alvo de uma oferta sigilosa para adquirir a obra 'O Sol Poente', de Tarsila do Amaral, em abril de 2024. Segundo apuração da BBC Brasil, a peça foi oferecida por R$ 120 milhões, embora a Justiça a considere desaparecida e parte de um espólio em inventário, o que proíbe qualquer transação sem aval judicial.
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram que a designer de interiores Luciana Gontijo, que prestava serviços ao banqueiro, apresentou o quadro como um 'superinvestimento'. Ela teria sugerido que a transação exigisse sigilo absoluto por cinco anos e mencionou que a obra possuía uma avaliação oficial de R$ 250 milhões. Vorcaro, no entanto, não concretizou a compra.
O caso ganhou contornos ainda mais complexos meses depois, quando a pintura apareceu ao fundo de um vídeo publicado por Daniela Fagundes, então esposa do ex-CEO do Itaú, Roberto Setúbal. Questionado, Setúbal declarou ter devolvido a obra a quem a ofereceu, sem identificar o remetente. A tela pertence ao acervo do marchand Jean Boghici, falecido em 2015, e é disputada em um processo marcado por denúncias de cárcere privado e má gestão patrimonial.
Em junho de 2025, a juíza Marisa Simões Mattos Passos interveio no espólio, nomeando um inventariante independente após identificar movimentações financeiras suspeitas e a venda irregular de bens. Diligências realizadas em agosto de 2025 em endereços ligados à família Boghici não localizaram as obras nem os envolvidos, mantendo o paradeiro de 'O Sol Poente' sob incerteza.
Em resumo
- Daniel Vorcaro recebeu oferta de R$ 120 milhões por obra de Tarsila do Amaral que está sob bloqueio judicial.
- A pintura apareceu em vídeo na casa de Roberto Setúbal, que afirmou ter devolvido o item.
- Justiça nomeou inventariante independente em 2025 após suspeitas de má gestão no espólio de Jean Boghici.
- Buscas oficiais em 2025 não localizaram a obra, que segue considerada desaparecida.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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