Vínculos de advogado de offshore ligada a Flávio Bolsonaro expõem rede de influência
Documentos revelam que gestor de empresa offshore usada por Flávio Bolsonaro atuava no escritório de Willer Tomaz e liderava entidade do setor de apostas.

Foto: Republica dos Laranjas; Offshore de Willer Tomaz - Flávio Bolsonaro em ato na Paulista. No detalhe, com Willer Tomaz (Charles Vieira / Divulgação da campanha) · Original e licença
Novos registros documentais lançam luz sobre as conexões profissionais de Mateo Scudeler, o advogado que administrou a Alcazar Holdings, offshore sediada na Ilha da Madeira. Entre abril de 2023 e junho de 2026, Scudeler esteve à frente da empresa, que possui participação no jato Legacy 650, aeronave frequentemente utilizada pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. A revelação aponta que, durante esse mesmo intervalo, Scudeler exercia funções como advogado sênior na banca Aragão & Tomaz Advogados Associados.
A sobreposição de atividades foi confirmada por meio de comunicações oficiais enviadas à Câmara dos Deputados. Em junho de 2023, o advogado utilizou o e-mail institucional do escritório de Willer Tomaz para protocolar uma petição em nome da Kaizen Gaming, operadora da plataforma Betano, perante a CPI da Manipulação de Resultados no Futebol. Naquela ocasião, o ex-ministro Eugênio Aragão também figurava como representante jurídico da empresa de apostas.
Além da atuação no escritório, Scudeler ocupou a presidência da Associação Nacional dos Operadores Estaduais de Jogos e Loterias, conhecida pela sigla Opera Legal. A entidade, que representa interesses do setor de apostas, manteve vínculos jurídicos com o escritório de Willer Tomaz, conforme indicam processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal. A Opera Legal foi admitida como parte interessada em ações sobre loterias estaduais em agosto de 2026, período em que Scudeler ainda respondia pela liderança da associação.
O cenário jurídico em torno do escritório Aragão & Tomaz passa por mudanças, com o ex-ministro Eugênio Aragão comunicando seu desligamento da sociedade logo após o primeiro turno das eleições. Enquanto Willer Tomaz, que é alvo de investigações da Polícia Federal na Operação Sem Desconto, sustenta que sua relação com Flávio Bolsonaro é estritamente de amizade, o senador nega qualquer irregularidade financeira ou compartilhamento de contas bancárias com o empresário, classificando registros anteriores como equívocos cadastrais.
Em resumo: - Mateo Scudeler administrou a offshore Alcazar Holdings, ligada ao jatinho de Flávio Bolsonaro, enquanto trabalhava no escritório de Willer Tomaz. - O advogado também presidiu a entidade Opera Legal, que teve o ex-ministro Eugênio Aragão como representante jurídico em tribunais. - Eugênio Aragão confirmou sua saída da sociedade com Willer Tomaz, que é investigado pela Polícia Federal em apurações sobre desvios no INSS.
Fonte: Revista Fórum

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