Ciência em foco: o Brasil retoma o fôlego enquanto vizinhos apostam no desmonte
Após anos de cortes severos, o governo federal volta a priorizar o financiamento de pesquisas, buscando transformar riquezas naturais em tecnologia e inovação, em um cenário que contrasta com a crise científica enfrentada pela Argentina.

Foto: Elaboração própria, com base em dados do MCTI. Série de 2000 a 2024, em valores de 2024. Neste artigo, “investimentos” corresponde aos dispêndios federais em ciência e tecnologia, corrigidos pelo deflator implícito do PIB, indicador de variação dos preços da economia · Original e licença
O Brasil iniciou um movimento de recuperação no financiamento de pesquisas científicas, revertendo o cenário de estagnação que marcou os anos anteriores. Entre 2023 e 2024, o governo federal ampliou os recursos destinados à área, com altas reais de 23,4% e 9,1%, respectivamente. Essa mudança de rota tenta afastar o país da dependência histórica de exportar apenas commodities, como soja e minérios, para focar em uma economia baseada em conhecimento e alta complexidade tecnológica.
A estratégia atual busca aproveitar vantagens competitivas, como a vasta biodiversidade e o potencial em energias renováveis, para desenvolver tecnologias próprias. O papel do Estado é visto como fundamental, especialmente para sustentar projetos de longo prazo que o setor privado evita devido aos riscos. Esse esforço de reconstrução ocorre após um período de austeridade que atingiu o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Em 2020, por exemplo, a gestão de Jair Bolsonaro chegou a travar 88% das verbas do fundo, executando apenas uma pequena parcela do orçamento, conforme apontado por pesquisadores do Ipea.
Os reflexos desse desmonte anterior foram sentidos na inovação. Pela primeira vez desde a redemocratização, o país viu a média de pedidos de patentes cair durante o governo Bolsonaro. Agora, com a retomada dos investimentos, os indicadores de inovação começam a dar sinais de recuperação. O setor de energias renováveis, que também sofreu com a escassez de recursos entre 2016 e 2022, voltou a receber aportes significativos, impulsionado tanto por verbas públicas quanto pela atuação da Petrobras.
Enquanto o Brasil tenta fortalecer sua base científica, o cenário na Argentina aponta para uma direção oposta. O governo de Javier Milei, frequentemente citado por setores da oposição brasileira como um modelo, promoveu cortes profundos na ciência, com reduções de 29,7% em 2024 e 14,9% em 2025. A previsão é que o gasto público argentino no setor atinja o patamar mais baixo desde 1972, o que tem provocado protestos constantes de universidades e da comunidade acadêmica no país vizinho.
Em resumo: - O governo federal reverteu a queda nos investimentos em ciência com aumentos reais de 23,4% em 2023 e 9,1% em 2024. - Durante a gestão Bolsonaro, o FNDCT sofreu bloqueios severos e o país registrou a primeira queda na média de patentes desde a redemocratização. - A Argentina, sob a gestão de Milei, reduziu drasticamente o orçamento científico, prevendo o menor gasto da série histórica para 2026.
Fonte: ICL Notícias

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