Política · Justiça

Campanha de Flávio Bolsonaro aciona TSE para tentar controlar linha editorial de veículos

Ação judicial pede a remoção de centenas de reportagens e a cassação da chapa de Lula e Alckmin, utilizando inteligência artificial para questionar o tom crítico de portais jornalísticos.

A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou no Tribunal Superior Eleitoral, em 22 de outubro, uma petição que busca impor novos parâmetros para a cobertura jornalística de três portais: o ICL Notícias, o Diário do Centro do Mundo e o Brasil Fora da Caverna. A estratégia da candidatura é utilizar ferramentas de inteligência artificial para classificar o teor das manchetes publicadas por esses veículos, argumentando que o volume de críticas ao candidato configuraria propaganda eleitoral irregular.

O documento, endereçado ao corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, solicita a exclusão imediata de 241 conteúdos jornalísticos. Além da remoção das matérias, a defesa de Flávio Bolsonaro pleiteia a cassação dos registros ou diplomas de Lula e Geraldo Alckmin, sob a acusação de que os portais atuariam como braços da campanha petista. A petição também requer que os veículos sejam impedidos de divulgar agendas ou transmissões de atos de campanha até o encerramento do pleito.

Para fundamentar o pedido, a campanha apresentou um levantamento que analisou mais de 30 mil publicações ao longo de 2026. A tese central é que a desproporção entre notícias negativas sobre o candidato do PL e o tratamento dado à chapa adversária ultrapassaria o limite da liberdade de imprensa, transformando o jornalismo em propaganda vedada. A defesa sustenta que, embora a crítica isolada seja lícita, a persistência de um tom desfavorável, combinada com supostos vínculos políticos, justificaria a intervenção judicial.

A iniciativa levanta preocupações sobre a autonomia das redações, uma vez que o jornalismo profissional não opera sob a lógica de cotas de equilíbrio numérico entre elogios e críticas. A atividade de informar, baseada em apurações e fatos, é protegida pela Constituição, que garante o direito de investigar e publicar conteúdos que possam desagradar figuras públicas. A ação ainda exige que os veículos forneçam dados detalhados sobre receitas, contratos publicitários e pagamentos de publicidade institucional recebidos nos últimos anos.

Em resumo: - A campanha de Flávio Bolsonaro pede ao TSE a remoção de 241 reportagens de três veículos de imprensa. - A petição utiliza inteligência artificial para alegar que o excesso de críticas ao candidato configura propaganda irregular. - A ação solicita a cassação dos registros de Lula e Alckmin e a proibição de cobertura de atos de campanha pelos portais citados. - O pedido inclui a quebra de sigilo de dados financeiros e contratuais dos veículos de comunicação.

Fonte: ICL Notícias

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