Checagem desmascara distorções de Flávio Bolsonaro sobre economia argentina
Análise aponta que declarações do senador sobre a inflação na Argentina e o histórico político do país contêm imprecisões factuais.

Foto: Selo ENGANOSO — Checagem em tempo real da Revista Fórum no debate presidencial na Globo - · Original e licença
Em recente debate, o senador Flávio Bolsonaro (PL) recorreu a dados imprecisos para defender a gestão de Javier Milei na Argentina. Ao tentar atribuir a crise econômica do país vizinho exclusivamente a duas décadas de governos de esquerda, o parlamentar ignorou marcos temporais fundamentais e distorceu a realidade estatística sobre a inflação herdada pelo atual presidente.
A afirmação de que Milei assumiu o cargo com uma inflação de 211% é classificada como enganosa. Embora esse seja o índice oficial acumulado ao final de 2023, o número engloba o primeiro mês da gestão do próprio Milei. Em novembro de 2023, um mês antes de sua posse, a inflação acumulada em 12 meses era de 160,9%. O salto para os 211,4% foi impulsionado, em parte, pela desvalorização cambial promovida pelo governo libertário logo em seus primeiros dias.
Além da questão econômica, o senador também omitiu fatos sobre a alternância de poder na Argentina. O período de governos peronistas entre 2003 e 2023 não foi ininterrupto, como sugerido. Entre 2015 e 2019, o país foi comandado por Mauricio Macri, representante da centro-direita, o que invalida a tese de uma hegemonia de esquerda de 20 anos.
Em resumo
- A inflação de 211% refere-se ao ano completo de 2023, incluindo medidas tomadas já sob a gestão de Milei.
- Antes da posse do atual presidente, o índice acumulado em 12 meses era de 160,9%.
- O governo de Mauricio Macri (2015-2019) interrompeu o ciclo de gestões peronistas no período citado.
Fonte: Revista Fórum

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