Política · Segurança

Infiltração no sistema de armas: 92 casos de CACs ligados ao crime organizado são mapeados

Levantamento do Instituto Sou da Paz revela como facções como PCC e CV utilizaram registros de CACs para acessar armamento legalizado na última década.

Foto: tag: cacs ligados ao PCC - Marcos Corrêa/PR · Original e licença

Um levantamento inédito do Instituto Sou da Paz, divulgado neste sábado (24), expõe a fragilidade no controle de armamentos no Brasil ao identificar 92 casos de colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) com vínculos comprovados ao crime organizado entre 2016 e outubro de 2026. A pesquisa, que analisou processos judiciais e inquéritos, revela que integrantes de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e milícias utilizaram o sistema legal para obter armas e munições.

Os dados mostram que o problema ocorre em 21 estados, com maior incidência em São Paulo (18 casos), Espírito Santo (11) e Rio de Janeiro (10). Segundo o consultor sênior do instituto, Bruno Langeani, a autorização concedida a um CAC é frequentemente explorada por organizações criminosas, seja pelo desvio de armas compradas legalmente ou pela obtenção de certificados mediante documentos falsos e omissão de antecedentes criminais.

Entre os nomes citados no levantamento estão lideranças criminosas de peso. Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, o 'Léo Bode', apontado como um dos chefes do Comando Vermelho no interior paulista, possuía registros emitidos pelo Exército. O mesmo ocorreu com Levi Adriani Felício, da cúpula do PCC, e Luiz Paulo de Lemos Júnior, o 'Chupeta', miliciano ligado ao Escritório do Crime no Rio de Janeiro.

O relatório destaca que a flexibilização das normas de acesso a armas durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) ampliou as brechas para esse tipo de desvio. Em resposta, o governo Lula alterou as regras em 2023, e desde julho de 2025, a Polícia Federal assumiu o controle e a fiscalização dos CACs. Mesmo com as mudanças, a PF segue combatendo fraudes, como na recente Operação Guardiões de Fogo, deflagrada em setembro de 2026 na Bahia, que resultou na apreensão de 44 armas e vultosas quantias em dinheiro.

Em resumo

  • O Instituto Sou da Paz mapeou 92 casos de CACs ligados a facções criminosas em 21 estados na última década.
  • Criminosos utilizam o sistema para desviar armas ou obtêm registros legais através de fraudes documentais.
  • Lideranças do PCC, CV e milícias foram identificadas com certificados de registro emitidos pelo Exército.
  • A fiscalização dos CACs foi transferida para a Polícia Federal em 2025 para tentar conter o uso indevido do sistema.

Fonte: Revista Fórum

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