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Alinhamento ideológico: Washington condiciona apoio à Argentina à manutenção da direita no poder

Enquanto o governo Trump celebra a parceria com Javier Milei, indicadores sociais mostram aumento da pobreza e desemprego na Argentina.

Foto: Javier Milei recebe Christopher Landau, enviado do governo Trump, na Casa Rosada, em meio ao aumento da pobreza e às dificuldades no mercado de trabalho argentino Crédito: Inteligência Artificial · Original e licença

O governo de Donald Trump reforçou sua aliança estratégica com a gestão de Javier Milei, em uma visita diplomática de alto nível que ocorre em um momento de fragilidade social na Argentina. Christopher Landau, vice-secretário de Estado dos EUA, afirmou que o país sul-americano é o aliado mais alinhado a Washington no cenário global, defendendo a ampliação de investimentos estadunidenses no território argentino.

Apesar do entusiasmo diplomático, os dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) revelam um cenário preocupante. No primeiro semestre de 2026, a pobreza atingiu 32,3% da população urbana, revertendo parte dos avanços anteriores. A indigência também subiu para 7,5%, enquanto o desemprego alcançou 7,9% no segundo trimestre, evidenciando as dificuldades enfrentadas pelas famílias argentinas diante da política econômica ultraliberal.

A relação entre os dois países tem sido marcada por uma clara condicionalidade política. O embaixador dos Estados Unidos na Argentina, Peter Lamelas, declarou recentemente que o suporte financeiro de Washington para projetos futuros, após 2027, está atrelado à permanência de uma orientação de direita no governo. Segundo o diplomata, o apoio é garantido desde que o país siga na direção da direita e não da esquerda.

Essa estratégia de pressão não é inédita. Durante as eleições legislativas de 2025, o governo Trump chegou a oferecer um pacote de socorro de US$ 20 bilhões, condicionando a ajuda ao desempenho eleitoral do partido de Milei. Embora a parceria prometa investimentos em setores como energia e infraestrutura, o governo estadunidense mantém uma postura pragmática, protegendo seus próprios interesses econômicos, inclusive em disputas territoriais como a das Ilhas Malvinas.

Em resumo

  • A pobreza na Argentina subiu para 32,3% e a indigência para 7,5% no primeiro semestre de 2026.
  • O desemprego atingiu 7,9% no segundo trimestre, com o setor privado ainda abaixo dos níveis iniciais da gestão Milei.
  • O embaixador dos EUA condicionou o apoio financeiro futuro à manutenção de um governo de direita após 2027.
  • Washington mantém a oferta de investimentos em infraestrutura enquanto protege interesses de empresas americanas em disputas regionais.

Fonte: Brasil 247

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