Assédio eleitoral: MPT aperta o cerco contra patrões que tentam manipular o voto
Com 1.773 denúncias acumuladas em 2026, o Ministério Público do Trabalho intensifica fiscalização contra empresas que pressionam funcionários na reta final da disputa presidencial.

Foto: Assedio Eleitoral - Foto: Divulgação MPT · Original e licença
A reta final da corrida eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro tem sido marcada por uma onda de denúncias de assédio no ambiente de trabalho. O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que, apenas no intervalo entre o primeiro e o segundo turno, recebeu 782 queixas de trabalhadores que se sentiram pressionados por seus empregadores. Somando os registros desde o início do ano, o órgão já contabiliza 1.773 casos de coação política.
Para conter os abusos, o MPT tem recorrido à Justiça e a acordos extrajudiciais. O balanço oficial aponta que a atuação dos procuradores já gerou 51 termos de ajuste de conduta e o ajuizamento de 39 ações civis públicas. Até a tarde desta sexta-feira, 29 decisões liminares haviam sido concedidas para proteger o direito de escolha dos empregados, enquanto outros pedidos aguardavam análise.
No Rio de Janeiro, a rede Supermercados Zona Sul entrou na mira dos investigadores após o envio de uma carta aos funcionários. O documento, assinado pela presidência da empresa, critica o cenário político e prega uma mudança, o que levou o Sindicato dos Comerciários e o MPT a questionarem o uso da estrutura corporativa para influenciar o voto. A empresa ainda não se manifestou sobre o procedimento investigativo.
Na Bahia, a Justiça do Trabalho foi mais incisiva contra a Rede Mix. O juiz Murilo Carvalho Sampaio Oliveira ordenou a suspensão imediata do uso de uniformes com o número 22, sob pena de multa diária de 50 mil reais. Embora a rede alegue que o número celebra seu aniversário de fundação, o MPT argumentou que a vestimenta expunha os trabalhadores a uma propaganda política indesejada. A decisão também obriga a empresa a garantir que seus funcionários tenham tempo livre para votar no domingo.
Em resumo: - O MPT já recebeu 1.773 denúncias de assédio eleitoral em 2026, com um salto de 782 registros apenas após o primeiro turno. - Redes de supermercados no Rio de Janeiro e na Bahia estão sendo investigadas por suposta pressão política sobre seus empregados. - A Justiça do Trabalho proibiu o uso de uniformes com o número 22 na Rede Mix baiana e o MPT mantém plantão para receber denúncias sigilosas durante todo o fim de semana.
Fonte: Revista Fórum

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