Planalto prevê que Milei tentará deslegitimar resultado das urnas caso Lula vença
Governo brasileiro avalia que presidente argentino manterá postura hostil e só reconhecerá vitória se Flávio Bolsonaro for eleito.

Foto: Javier Milei e Flávio Bolsonaro - Javier Milei e Flávio Bolsonaro (Foto: Presidência da Argentina) · Original e licença
Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, que ocorre neste domingo (25), o Palácio do Planalto projeta um cenário de tensão diplomática com a Argentina. Segundo apuração do jornal O Globo, a avaliação interna do governo é de que o presidente Javier Milei não deve reconhecer uma eventual reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, condicionando qualquer aceitação do pleito a uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL).
A postura de Milei, que tem se alinhado abertamente à família Bolsonaro, é vista em Brasília como um entrave persistente. Recentemente, o mandatário argentino chegou a insinuar, sem apresentar provas, que o governo petista poderia tentar fraudar o processo eleitoral. Em resposta, o Itamaraty classificou as declarações como uma tentativa inaceitável de ingerência externa, reafirmando a integridade do sistema eletrônico de votação brasileiro.
O desgaste nas relações bilaterais atingiu um ponto crítico em julho, quando Milei participou de um ato de campanha de Flávio Bolsonaro em São Paulo, proferindo ataques diretos a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. O episódio levou o governo brasileiro a convocar o embaixador Julio Bitelli para consultas e, posteriormente, a rebaixar o nível das relações diplomáticas, que hoje operam apenas por meio de encarregados de negócios.
Apesar da hostilidade vinda de Buenos Aires, o Planalto mantém a posição de que não tomará a iniciativa para uma reaproximação enquanto não houver uma mudança de postura por parte de Milei. A expectativa é de que, caso Lula seja reeleito, o resultado seja prontamente reconhecido pelos demais líderes da região, isolando a posição argentina. Diplomatas estrangeiros em Brasília, conforme apurado pela agência Reuters, já articulam um reconhecimento célere do vencedor para evitar que contestações externas criem instabilidade institucional.
Em resumo
- O governo brasileiro avalia que Javier Milei não reconhecerá uma vitória de Lula, mantendo o apoio a Flávio Bolsonaro.
- A crise diplomática, que resultou no rebaixamento das relações em agosto, é alimentada por ataques constantes do presidente argentino ao sistema eleitoral brasileiro.
- O Itamaraty reafirmou a soberania do processo democrático e a segurança das urnas diante das insinuações de fraude feitas por Milei.
Fonte: Revista Fórum

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