O desmonte da Conab e a conta que sobrou para o prato do brasileiro
Análise aponta como a política de desestruturação da Conab durante o governo Bolsonaro impactou a inflação de alimentos e a segurança alimentar no Brasil.

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A escalada nos preços dos alimentos que pesou no bolso das famílias brasileiras entre 2019 e 2022 não foi um fenômeno isolado, mas o reflexo de escolhas políticas que fragilizaram a soberania alimentar do país. Segundo apuração da Revista Fórum, a gestão de Jair Bolsonaro promoveu um desmonte sistemático da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), esvaziando os estoques reguladores que historicamente serviam para equilibrar o mercado interno.
Ao fechar dezenas de unidades armazenadoras e abandonar a política de estoques públicos, o governo da época retirou do Estado a capacidade de intervir em momentos de crise. Sem a compra de excedentes na supersafra e a venda em períodos de escassez, o mercado ficou à mercê da especulação e da volatilidade cambial. O resultado foi uma inflação persistente em itens básicos como arroz, feijão, carne e óleo de soja.
Os dados do IBGE ilustram o impacto dessa política no custo de vida. A inflação da alimentação no domicílio registrou altas sucessivas: 7,84% em 2019, 18,15% em 2020, 8,24% em 2021 e 13,23% em 2022. Enquanto o agronegócio voltado à exportação celebrava recordes de faturamento, o consumidor brasileiro enfrentava prateleiras com preços proibitivos e o retorno do país ao mapa da fome.
Além do impacto direto nos preços, a desestruturação da Conab desestimulou a agricultura familiar, setor responsável pela maior parte dos alimentos que chegam às mesas brasileiras. Com o congelamento de programas de aquisição e a falta de suporte técnico, pequenos produtores perderam incentivos, agravando a insegurança alimentar que marcou o período.
Em resumo
- A gestão Bolsonaro desativou armazéns da Conab e encerrou estoques reguladores de alimentos.
- A ausência de regulação estatal deixou o mercado interno vulnerável à especulação e à volatilidade das exportações.
- A inflação de alimentos acumulou altas expressivas entre 2019 e 2022, atingindo o pico de 18,15% em 2020.
- O desmonte institucional prejudicou a agricultura familiar e comprometeu a soberania alimentar do país.
Fonte: Revista Fórum

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