Política · Justiça

Tensão no TSE: Gestão de Kassio Nunes Marques enfrenta turbulência e críticas internas na reta final

A poucos dias do segundo turno, o Tribunal Superior Eleitoral vive um clima de instabilidade com decisões controversas, disputas entre ministros e questionamentos sobre a conduta de seu presidente.

Foto: O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques - Gabriela Biló - 22.out.26/Folhapress · Original e licença

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tornou-se o epicentro de uma crise institucional às vésperas do segundo turno das eleições, marcado para este domingo, 25 de outubro de 2026. Sob a presidência do ministro Kassio Nunes Marques, a corte, que buscava manter um perfil de autocontenção, viu sua imagem ser desgastada por uma série de decisões conflitantes e pelo aumento das tensões entre os magistrados do colegiado.

O caso mais emblemático da instabilidade jurídica envolveu o canal de WhatsApp Exército do Lula. A disputa sobre a permanência do grupo no ar gerou um vaivém de decisões entre o presidente da corte e outros ministros. Enquanto Kassio ordenou a suspensão do canal, o corregedor-geral Ricardo Villas Bôas Cueva chegou a restabelecê-lo. A situação só encontrou um desfecho temporário quando o ministro Floriano de Azevedo Marques interveio, estabelecendo que qualquer nova medida contra o grupo deveria ser submetida ao plenário, evitando decisões monocráticas preventivas.

A condução de Kassio tem provocado desconforto nos bastidores. Interlocutores apontam que o magistrado abandonou a promessa de uma gestão colegiada feita em sua posse, em maio. O mal-estar foi amplificado pelo vazamento de uma minuta que propunha o bloqueio de canais com mais de 200 mil usuários na véspera da votação, medida que gerou resistência até mesmo entre aliados próximos do presidente do tribunal.

Além dos embates internos, a logística do pleito também foi alvo de críticas. A alteração nos locais de votação de 402,6 mil eleitores, comunicada com atraso e imprecisões, foi vista por outros magistrados como uma falha de gestão. Paralelamente, a disputa entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro se intensificou, com o petista acusando a Meta de favorecer o adversário por meio de algoritmos. A empresa, por sua vez, classificou as falhas apontadas como incidentes técnicos.

A situação de Kassio Nunes Marques é agravada por revelações externas. Reportagem da revista Piauí apontou que o ministro teria participado de uma festa em fevereiro de 2025, custeada por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Em nota, o magistrado declarou que não autorizou ninguém a falar em seu nome e que não pode ser responsabilizado por condutas de terceiros.

Em resumo: - O TSE enfrenta uma crise interna devido a decisões monocráticas conflitantes e à postura do presidente Kassio Nunes Marques. - A alteração tardia nos locais de votação de 402,6 mil eleitores gerou críticas sobre a organização do pleito. - A campanha de Lula acusa a Meta de viés algorítmico, enquanto o presidente da corte lida com o desgaste de revelações sobre sua relação com o empresário Daniel Vorcaro.

Fonte: Folha de S.Paulo

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