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Boicote ao voto? Eleitores enfrentam caos no transporte público em diversas capitais

Denúncias de redução deliberada da frota de ônibus e balsas em cidades estratégicas marcam o segundo turno das eleições, gerando intervenções judiciais e pedidos de prisão.

Foto: Denúncias de falta de ônibus para votar são registradas em diversas cidades brasileiras · Original e licença

O exercício do direito ao voto enfrenta obstáculos graves neste domingo (25), dia de segundo turno das eleições presidenciais. Em diversas cidades brasileiras, eleitores relatam a escassez de ônibus, longas esperas em pontos e a redução inexplicável da frota, o que tem impedido milhares de cidadãos de chegarem às suas seções eleitorais.

Em Salvador, a situação atingiu um nível crítico. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou o restabelecimento imediato de 100% da frota, com gratuidade e frequência de dia útil, sob pena de multa de R$ 1 milhão por hora. A medida foi tomada após a Federação Brasil da Esperança denunciar que a circulação estava reduzida em mais de 50%. Durante fiscalização, o Procon-BA flagrou 55 veículos parados na garagem da empresa OT Trans, mesmo estando aptos a rodar.

Diante do descumprimento da ordem judicial, a federação solicitou à Justiça a prisão em flagrante do prefeito Bruno Reis (União Brasil) e do secretário de Mobilidade, Pablo Souza — este último, segundo a denúncia, estaria em Paris durante o pleito. A coligação aponta que as empresas sequer convocaram motoristas para o reforço necessário, configurando, na visão dos advogados, crime eleitoral.

Em São Paulo, o cenário não é diferente. Apesar de uma decisão judicial que exigiu a operação integral da frota, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva denunciou que apenas 60% dos veículos estariam circulando. Segundo informações da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, eleitores de diversas zonas da capital paulista relataram dificuldades severas de locomoção. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o presidente da SPTrans estão sujeitos a multas individuais de R$ 100 mil em caso de descumprimento.

O problema se espalha por outras regiões do país. Em Sergipe, Alagoas, Paraíba e Petrópolis (RJ), passageiros enfrentam superlotação e falta de veículos. No Pará, a situação é dramática no Porto de Icoaraci, onde mais de 200 pessoas ficaram retidas sem transporte para a ilha do Marajó, apesar de um decreto estadual garantir a gratuidade e a operação de balsas durante o período eleitoral.

Em resumo

  • Justiça Eleitoral determinou 100% da frota em Salvador e São Paulo, com multas pesadas para gestores municipais e empresas.
  • Federação Brasil da Esperança pediu a prisão do prefeito de Salvador e do secretário de Mobilidade por descumprimento de ordem judicial.
  • Relatos de falta de transporte e longas esperas foram registrados em ao menos sete estados, afetando o acesso dos eleitores às urnas.
  • No Pará, a insuficiência de balsas deixou centenas de eleitores sem condições de se deslocar para a ilha do Marajó.

Fonte: ICL Notícias

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