Economia

Crise no crédito: inadimplência das famílias atinge recorde em 14 anos

Relatório do Banco Central aponta que o comprometimento da renda das famílias brasileiras chegou ao maior nível em duas décadas, elevando riscos ao sistema financeiro.

Foto: Banco Central Crédito: REUTERS/Adriano Machado · Original e licença

O cenário econômico brasileiro enfrenta um momento de alerta. Dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (27) revelam que o volume de ativos problemáticos no crédito às famílias atingiu o patamar mais alto desde 2012. O diagnóstico aponta para uma trajetória desafiadora, onde a capacidade de pagamento de consumidores e empresas está sob forte pressão, elevando os riscos para o sistema financeiro nacional.

A deterioração das carteiras de crédito é impulsionada, principalmente, pelo aumento da inadimplência, que engloba atrasos superiores a 90 dias. Segundo a autoridade monetária, a probabilidade de calote deve seguir em alta na maioria das linhas de financiamento durante todo o segundo semestre deste ano. O comprometimento da renda das famílias, por sua vez, alcançou o pico dos últimos 21 anos, afetando de forma mais severa as camadas de menor poder aquisitivo, que têm sido expostas a ofertas contínuas de crédito facilitadas pela digitalização dos serviços financeiros.

No setor corporativo, a situação não é diferente. O Banco Central observou um movimento de redução nas margens de segurança das empresas, que enfrentam lucros menores e despesas financeiras mais elevadas. Diante desse quadro, o órgão estuda implementar medidas macroprudenciais para conter o superendividamento, com foco em modalidades de maior risco, como o cartão de crédito e empréstimos pessoais sem garantia.

O relatório também trouxe um panorama sobre a regulação do sistema financeiro. Em junho, 242 instituições ainda não estavam em conformidade com as novas exigências de capital que entraram em vigor em julho. O Banco Central esclareceu que essas entidades possuem um cronograma de transição para se adequarem às normas, com o enquadramento total sendo obrigatório apenas a partir de 1º de janeiro de 2028.

Em resumo

  • Inadimplência das famílias atinge o maior nível desde 2012.
  • Comprometimento da renda familiar chega ao recorde dos últimos 21 anos.
  • Banco Central projeta pressão contínua sobre calotes no segundo semestre.
  • 242 instituições financeiras ainda precisam se adequar às novas regras de capital até 2028.

Fonte: Brasil 247

COMECE A CONVERSA

O que você acha desta notícia?

Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.

Comentários

Próxima notíciaMercado financeiro inicia correção e dólar recua após turbulência pós-eleitoral