Política · Economia

Especialista sugere perfil para Fazenda e alerta sobre riscos de recessão em 2027

Analista do FGV IBRE avalia que o próximo governo precisa de um nome com forte compromisso fiscal para evitar desequilíbrios e sinalizar estabilidade ao mercado.

Foto: Ministério da Fazenda Crédito: REUTERS/Adriano Machado · Original e licença

O comando da economia brasileira para o próximo ciclo presidencial exige uma escolha estratégica imediata. Segundo o economista que lidera o Centro de Estudos Monetários do FGV IBRE, a definição de um nome para o Ministério da Fazenda deve priorizar alguém com capacidade de liderança e compromisso claro com a estabilidade macroeconômica. A avaliação é que o país precisa de um choque de expectativas para lidar com o cenário atual de endividamento e incertezas sobre o crescimento.

Em análise recente, o especialista destacou que a gestão federal deveria utilizar os meses que antecedem a instalação do novo Congresso para desenhar medidas de ajuste fiscal. O alerta é que a demora em agir pode aprofundar os desequilíbrios nas contas públicas, elevando a probabilidade de uma recessão econômica em 2027. Dados apontam que a dívida pública em relação ao PIB subiu dez pontos percentuais sob a atual administração, alcançando 82,9%.

Sobre o perfil do futuro ministro, a recomendação é que o governo busque uma liderança com habilidade política e técnica, capaz de montar uma equipe qualificada. O economista sugeriu que o modelo de gestão do início do primeiro mandato de Lula, focado na estabilização, sirva como referência. Ele ponderou que, embora nomes como o de Geraldo Alckmin ou Rafael Fonteles sejam citados, o governo necessita de alguém com identificação pública direta com uma agenda de austeridade.

A proposta de ajuste fiscal defendida pelo analista gira entre 2% e 3% do PIB, focada na revisão de despesas obrigatórias e na redução de desperdícios, em vez de depender apenas de aumentos na arrecadação tributária. Ele criticou a ideia de sustentar gastos públicos através de impostos, argumentando que a carga tributária brasileira já é elevada e pode inibir investimentos.

O cenário monetário também preocupa. Com o dólar na casa dos R$ 5,35 e a inflação para 2027 projetada em torno de 5%, o Banco Central encontra pouco espaço para reduzir os juros e estimular a economia. O economista observou que o endividamento conjunto de famílias, empresas e governo cria um ambiente de retração, tornando a sinalização de disciplina orçamentária um passo fundamental para reduzir incertezas e retomar o desenvolvimento.

Em resumo: - O economista defende um nome de peso na Fazenda para garantir estabilidade e evitar recessão em 2027. - O ajuste fiscal necessário é estimado entre 2% e 3% do PIB, com foco em corte de gastos e revisão de indexações. - A dívida pública atingiu 82,9% do PIB, limitando a margem de manobra do Banco Central.

Fonte: Brasil 247

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