Política · Economia

Especialista da FGV sugere que novo governo Lula retome pragmatismo do início da gestão

Silvia Matos, do IBRE/FGV, avalia que o quarto mandato presidencial exige foco em responsabilidade fiscal e revisão de gastos para garantir a sustentabilidade das contas públicas brasileiras.

Foto: Lula e Geraldo Alckmin Crédito: Ricardo Stuckert · Original e licença

O início do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva exige uma mudança de rota na condução da economia, segundo a visão de Silvia Matos, que coordena o Boletim Macro IBRE da Fundação Getulio Vargas. Para a economista, o governo deveria buscar inspiração na postura pragmática adotada entre 2003 e 2006, priorizando a previsibilidade e o equilíbrio das contas nacionais em vez de buscar novas fórmulas.

A análise de Matos aponta que o resultado das urnas não pode ser interpretado como um apoio irrestrito à atual política econômica. Ela observa que o país segue polarizado, com uma parcela significativa da população insatisfeita com o desempenho financeiro, o que impõe ao governo o desafio de conciliar a manutenção de direitos sociais com a responsabilidade fiscal.

A economista manifestou preocupação com a postura do Legislativo, argumentando que o Congresso tem adotado uma prática de populismo fiscal que atravessa o espectro ideológico. Esse comportamento, segundo ela, reduz o espaço orçamentário e dificulta a gestão pública. A solução, na visão da especialista, passa por uma revisão rigorosa da qualidade dos gastos e pelo fim de isenções tributárias que beneficiam setores sem necessidade de auxílio estatal.

Para compor a equipe econômica, Matos defende a escolha de um ministro com perfil reformista, que possua autonomia e habilidade política para dialogar com diferentes setores. Ela mencionou nomes como o vice-presidente Geraldo Alckmin e o governador do Piauí, Rafael Fonteles, como exemplos de figuras que reúnem experiência administrativa e capacidade de articulação.

Além disso, a economista sugeriu que o Brasil acelere sua adesão à OCDE. Ela acredita que a adoção de padrões internacionais de governança ajudaria a blindar o orçamento de pressões políticas imediatistas, estabelecendo regras de longo prazo para a gestão das finanças públicas.

Em resumo: - Silvia Matos defende que o governo Lula retome o pragmatismo econômico do primeiro mandato para garantir estabilidade. - A economista critica o populismo fiscal no Congresso e sugere o corte de benefícios tributários ineficientes. - Nomes como Geraldo Alckmin e Rafael Fonteles são vistos como perfis aptos para a equipe econômica. - A adesão à OCDE é apontada como uma estratégia para institucionalizar a responsabilidade fiscal no país.

Fonte: Brasil 247

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