Economia

Crescimento do PIB não basta: o abismo social que o Brasil ainda precisa enfrentar

Análise mostra que, embora o Brasil tenha retirado milhões da pobreza, a concentração de renda e a desigualdade patrimonial seguem como desafios estruturais.

Foto: As fotos aéreas do Condomínio Penthouse no Morumbi em contraste com a favela de Paraisópolis, em São Paulo, ilustram a desigualdade social no país. Nesta foto, temos a perspectiva de dentro da comunidade para o condomínio, em um ângulo vindo de baixo. Foto: Deslange Paiva/G1 · Original e licença

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é frequentemente celebrado como um termômetro de sucesso nacional, mas, isoladamente, ele é incapaz de revelar quem realmente se beneficia da riqueza gerada. Dados recentes do IBGE, por meio da Síntese de Indicadores Sociais, confirmam que o país avançou no combate à pobreza, com 8,6 milhões de brasileiros saindo dessa condição entre 2023 e 2024. Contudo, a redução da miséria não se traduz automaticamente em uma sociedade menos desigual.

A disparidade permanece gritante: os 10% mais ricos da população ainda detêm um rendimento 13,4 vezes superior ao dos 40% mais pobres. Mesmo com o índice de Gini atingindo 0,506 em 2024 — o menor patamar desde 2012 —, a concentração de renda no topo da pirâmide segue em ritmo acelerado. Entre 2017 e 2023, enquanto a renda média das famílias brasileiras cresceu 1,4% ao ano, o grupo que compõe o 0,01% mais rico viu seus ganhos saltarem quase 8% anualmente.

Um dos nós centrais desse problema é a estrutura tributária brasileira, que historicamente penaliza o consumo em detrimento da acumulação de patrimônio. Em 2023, o 0,01% mais rico pagou uma alíquota efetiva de apenas 4,6% de Imposto de Renda. Em contrapartida, as famílias de menor renda comprometem cerca de 32% de seus ganhos com tributos sobre o consumo. Para tentar corrigir essa distorção, a Lei nº 15.270, sancionada em novembro de 2025, trouxe mudanças importantes, como a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil e a implementação de uma tributação mínima progressiva para rendas anuais acima de R$ 600 mil.

A desigualdade no Brasil também se perpetua pela dificuldade de mobilidade social. Segundo o Atlas da Mobilidade Social Brasil, a origem familiar ainda é o principal determinante do futuro de um indivíduo. A falta de acesso equitativo a serviços públicos de qualidade e a concentração de ativos — como imóveis e investimentos — criam um ciclo onde o privilégio é transmitido entre gerações, enquanto a base da pirâmide depende quase exclusivamente da renda do trabalho, que é mais volátil e menos protegida.

Em resumo

  • Entre 2023 e 2024, 8,6 milhões de pessoas saíram da pobreza, reduzindo a taxa de 27,3% para 23,1%.
  • O índice de Gini atingiu 0,506 em 2024, o menor nível desde 2012, mas a concentração de renda no topo permanece elevada.
  • A Lei nº 15.270/2025 busca maior justiça fiscal com isenção para rendas até R$ 5 mil e tributação progressiva para os mais ricos.
  • A desigualdade patrimonial e a baixa mobilidade social intergeracional impedem que o crescimento econômico reduza as distâncias sociais de forma célere.

Fonte: ICL Notícias

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