A fuga de Flávio Bolsonaro: entre o caos de versões e a logística internacional
Senador investigado deixou o Brasil em voo privado após sucessão de desencontros e negativas de aliados, contando com apoio logístico na Argentina e sinalização dos EUA.

Foto: - Flávio e Fernanda Bolsonaro no aeroporto de Brasília no domingo, dia 25 de outubro (Evaristo SA / AFP) · Original e licença
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil na noite desta terça-feira (27), concretizando uma fuga que desafiou uma determinação judicial do Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar, que estava proibido de sair do país e havia sido intimado a entregar seus passaportes, conseguiu cruzar a fronteira com a Argentina e embarcar em um jatinho particular com destino ao Equador, visando os Estados Unidos.
A operação foi marcada por um cenário de desinformação deliberada. Enquanto a Polícia Federal buscava o paradeiro do senador, aliados bolsonaristas espalhavam versões contraditórias: alguns negavam a saída, outros ironizavam as notícias e houve quem afirmasse, erroneamente, que ele já estaria em solo americano. A cronologia oficial, confirmada pela Direção Nacional de Migrações da Argentina, revelou que Flávio só atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves às 22h50 de terça-feira, acompanhado da esposa e das duas filhas.
Um ponto que levanta questionamentos sobre a logística da fuga é a presença de um Gulfstream G400, operado pela empresa Baires Fly S.A., que aguardou o senador no aeroporto de Puerto Iguazú por quase 25 horas. Além disso, relatos da imprensa local indicam que o grupo recebeu escolta da Polícia de Segurança Aeroportuária argentina até a pista de decolagem. O governo de Javier Milei, que inicialmente negou a entrada do senador, confirmou a operação apenas após a aeronave ter deixado o espaço aéreo argentino.
O episódio contou com o respaldo político de Donald Trump. O ex-presidente americano questionou a legitimidade da eleição brasileira e o Departamento de Estado dos EUA sinalizou a concessão de vistos para a família Bolsonaro. A sucessão de eventos sugere uma ação coordenada para garantir a saída do senador, utilizando o intervalo de incertezas e desencontros informativos para contornar a proibição judicial brasileira.
Em resumo
- Flávio Bolsonaro descumpriu ordem judicial de entrega de passaportes e proibição de saída do país.
- O senador utilizou a Argentina como rota de fuga, contando com um jatinho privado e escolta policial local.
- O governo dos EUA sinalizou apoio diplomático ao conceder vistos para o parlamentar e sua família.
- A estratégia de desinformação de aliados serviu para ocultar a localização real do senador durante a operação.
Fonte: Revista Fórum

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