Proibição das bets impulsiona venda de alimentos básicos nos supermercados
Dados da Abras indicam aumento no consumo de itens essenciais após o fim das apostas online, com setor supermercadista apontando possível redirecionamento de renda.

Foto: Carrinho com compras em supermercado; consumo cresce após proibição das bets - Alimentos/Foto: Valter Campanato/Agência Brasil · Original e licença
O fim das apostas esportivas e jogos de cassino online no Brasil, determinado pela Medida Provisória 1.394/2026, parece ter provocado uma mudança imediata no comportamento de consumo das famílias brasileiras. Levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), divulgado nesta terça-feira (27), aponta que a venda de itens essenciais, como arroz, óleo, macarrão e café, cresceu significativamente nas semanas seguintes à proibição.
Segundo os dados apresentados durante a feira Supervendas, em Aracaju, o varejo alimentar registrou alta de 6,5% entre os dias 5 e 11 de outubro, e de 6,3% na semana subsequente, de 12 a 18 de outubro, em comparação aos mesmos períodos de 2025. O setor supermercadista avalia que parte do orçamento que antes era drenado pelas plataformas de apostas passou a ser destinado à mesa dos brasileiros.
O movimento de alta foi registrado em diversas regiões do país. O Sul liderou o crescimento, com 10,6% na primeira semana de outubro, seguido por Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro, que alcançaram o mesmo patamar. A Abras também correlaciona o cenário à queda nas transações via Pix, que recuaram 10% nos três dias posteriores à publicação da medida de Lula, conforme dados do Banco Central.
Embora a entidade destaque a coincidência entre o fim das bets e o aumento das compras, o presidente da Abras, João Galassi, ressaltou que a expansão foi identificada em diversos formatos de comércio. É importante notar que o consumo de alimentos já apresentava trajetória positiva antes da MP, e a relação direta entre a proibição e o aumento das vendas ainda não foi formalmente comprovada por estudos de causalidade.
A medida, que proibiu a publicidade e a operação de apostas de quota fixa, faz parte da estratégia do governo para conter o endividamento das famílias. O texto segue em tramitação no Congresso Nacional e aguarda a instalação de uma comissão mista para avançar.
Em resumo
- O consumo de alimentos básicos cresceu acima de 6% nas duas semanas após o fim das bets.
- A Abras associa o aumento à disponibilidade de renda que antes era gasta em apostas.
- Transações via Pix registraram queda de 10% logo após a proibição das plataformas.
- A MP 1.394/2026, que baniu as apostas, ainda depende de aprovação do Legislativo.
Fonte: Revista Fórum

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