Radicalismo bolsonarista promove listas de boicote contra empresas e profissionais
Apoiadores de Flávio Bolsonaro articulam perseguição a estabelecimentos e trabalhadores por divergências políticas, gerando onda de denúncias no MPT.

Foto: Bolsonaristas citam empresas “petistas” e propõem boicote. Foto: Reprodução · Original e licença
Grupos de apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL) iniciaram uma ofensiva de boicote contra empresas, comércios e profissionais liberais que teriam manifestado apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mobilização, que circula intensamente em redes sociais e aplicativos de mensagens, mira desde grandes corporações, como o banco Itaú e a rede Ipiranga, até pequenos negócios locais, como padarias, livrarias e consultórios de saúde.
Em Petrópolis, no Rio de Janeiro, onde o filho do ex-presidente obteve 57,89% dos votos no segundo turno, uma das listas catalogou quase cem estabelecimentos como alvos. A campanha de intimidação não se limita ao setor privado; mensagens também incitam o boicote a viagens ao Nordeste e a ações de solidariedade voltadas a populações vulneráveis, sob o pretexto de punir eleitores do petista.
A escalada de hostilidade atingiu o ambiente de trabalho com episódios de assédio eleitoral. A deputada estadual Índia Armelau (PL) chegou a incentivar empregadores a perseguir ou demitir funcionários por suas convicções políticas, conduta que foi prontamente barrada pela Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro após ação do Ministério Público do Trabalho (MPT).
O impacto dessa onda de intolerância é monitorado pelas autoridades. Entre a última segunda-feira e a tarde do dia 27, o MPT registrou 530 denúncias de assédio eleitoral em todo o país. Em nota, o Itaú reforçou que mantém um posicionamento estritamente apolítico e que eventuais manifestações de seus colaboradores refletem apenas opiniões individuais.
Em resumo
- Apoiadores de Flávio Bolsonaro criam listas de boicote contra empresas e profissionais que apoiaram Lula.
- A deputada Índia Armelau foi proibida pela Justiça de incentivar a perseguição política de trabalhadores.
- O Ministério Público do Trabalho contabilizou 530 denúncias de assédio eleitoral em menos de dois dias.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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