Estratégia do Planalto: governo decide ignorar provocações de Flávio Bolsonaro no exterior
Aliados de Lula adotam postura de distanciamento diante da fuga do senador para os EUA e das declarações golpistas do parlamentar.

Foto: O senador Flávio Bolsonaro desembarca, em Miami, depois de fugir do Brasil - Ricardo Arduengo - 28.out.26/AFP · Original e licença
O governo federal definiu uma linha de atuação clara diante da ida do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos: a ordem é não conceder palco ao parlamentar. A avaliação interna no Palácio do Planalto é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve manter o foco na gestão do país, evitando reagir a cada investida de um adversário que se recusa a aceitar o resultado das urnas.
A postura de cautela, contudo, não impediu críticas diretas. Nesta terça-feira (27), o presidente Lula classificou a saída do senador como um ato vergonhoso e afirmou que ele deveria ter entregado seu passaporte às autoridades. Em tom duro, o petista rebateu as narrativas de instabilidade democrática, pontuando que o próprio sistema permitiu a candidatura de figuras da oposição.
A estratégia de ignorar o senador é acompanhada por uma ofensiva política do PT. O partido, por meio de seu secretário de Comunicação, Éden Valadares, cobrou uma manifestação urgente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A legenda argumenta que a autoproclamação de Flávio como presidente eleito configura uma mentira descarada que desafia a Justiça Eleitoral e exige responsabilização.
Nos bastidores, aliados de Lula descrevem a conduta do senador como irresponsável, avaliando que a divulgação de uma carta com erros básicos — como o uso da letra 'z' no brasão — apenas reforça o isolamento e a perda de credibilidade do parlamentar. Enquanto o governo evita o embate direto, especialistas apontam que a saída do país sem passar por controles brasileiros, utilizando passaporte italiano, pode servir de base jurídica para pedidos de prisão preventiva.
Em resumo
- Governo Lula decide ignorar declarações de Flávio Bolsonaro para não dar palco ao senador.
- Presidente Lula criticou a fuga e sugeriu que o parlamentar deveria ter entregue o passaporte.
- PT acionou o TSE cobrando medidas firmes contra a autoproclamação de Flávio como presidente.
- Relatos indicam que o senador utilizou passaporte italiano para evitar controles migratórios brasileiros.
Fonte: Folha de S.Paulo

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