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Fuga e delírio: a estratégia de Flávio Bolsonaro que isola a oposição e fortalece o governo Lula

Aliados do presidente Lula avaliam que a ida de Flávio Bolsonaro aos EUA e sua autoproclamação como presidente são atos de desespero que enfraquecem a oposição.

Foto: O presidente Lula (PT) durante cerimônia no Palácio do Planlto - Gabriela Biló - 21.out.26/Folhapress · Original e licença

A decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos, logo após ter sua entrega de passaportes determinada pelo STF em investigações sobre lavagem de dinheiro, é vista por aliados do presidente Lula como um movimento de autossabotagem. Para o núcleo petista, a postura do candidato derrotado, que se autoproclamou "presidente eleito" em uma carta, serve apenas para isolar o bolsonarismo e desorganizar a oposição.

O senador, que obteve 59,8 milhões de votos no pleito, desembarcou em Miami na última quarta-feira (28) após passar pela Argentina. A tentativa de criar uma narrativa de exílio político, comparando-se a figuras históricas, foi recebida com críticas severas. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), classificou a atitude como "um ato de conspiração contra o Brasil", enquanto o líder na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que o comportamento configura "traição à pátria".

A avaliação interna no governo é de que Flávio busca provocar uma reação de Lula que desgaste a relação diplomática com Donald Trump. No entanto, a estratégia do Palácio do Planalto é de cautela. O próprio Trump declarou que, embora tenha autorizado a entrada do senador, não pretende se envolver na polêmica ou comentar a autoproclamação. O governo brasileiro mantém o foco em pautas pragmáticas, como as negociações tarifárias, evitando cair em provocações.

Para o campo progressista, a fuga de Flávio é um divisor de águas que abre espaço para o diálogo com parte do eleitorado que votou no senador por rejeição ao PT, mas que agora se sente decepcionada com o abandono do país. Em nota conjunta, partidos como PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT reforçaram que o resultado das urnas é incontestável e que a contestação do bolsonarismo carece de qualquer sustentação jurídica ou fática.

Em resumo

  • Flávio Bolsonaro viajou para os EUA após ordem do STF para entrega de passaportes em investigações de lavagem de dinheiro.
  • O senador divulgou carta autoproclamando-se presidente, movimento visto por aliados de Lula como uma tentativa fracassada de instabilidade.
  • Partidos de esquerda e centro-esquerda assinaram nota conjunta repudiando a contestação do resultado eleitoral e a fuga do parlamentar.
  • O governo Lula aposta na desmoralização da oposição para atrair eleitores descontentes com a postura do senador.

Fonte: Folha de S.Paulo

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