Política

Após derrota de Flávio Bolsonaro, estudantes de medicina destilam ódio contra bolsistas em SP e MG

Alunos de medicina da Unisa e do Imepac foram alvos de ataques discriminatórios em grupos de WhatsApp após o resultado das eleições presidenciais.

Foto: Alunos de medicina atacam bolsistas em SP e MG após derrota de Flávio Bolsonaro - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado · Original e licença

A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2026 desencadeou uma onda de hostilidade em faculdades de medicina de São Paulo e Minas Gerais. Estudantes que dependem de programas de assistência estudantil, como o Prouni e o Fies, foram alvo de ataques preconceituosos e ofensas proferidas por colegas em grupos de WhatsApp, conforme apurações da Folha de S.Paulo e do g1.

No Centro Universitário Imepac, em Araguari (MG), dois estudantes de 19 anos foram identificados como autores de áudios que atacavam beneficiários de bolsas e alunos que vendem produtos para custear a graduação. Em uma das gravações, um dos envolvidos afirmou: "Pega a p* da sua bolsa de Prouni, de Fies e divide com a p* do MST". O caso gerou um boletim de ocorrência por difamação e a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) pela instituição, que repudiou as manifestações discriminatórias.

Em São Paulo, o cenário se repetiu na Universidade de Santo Amaro (Unisa). Relatos de alunos apontam que um grupo de WhatsApp, que reunia quase mil integrantes, tornou-se palco de ataques contra nordestinos, beneficiários de políticas de inclusão, feministas e eleitores de Lula. Além de ofensas, as mensagens incluíram ameaças de violência e comentários depreciativos sobre a condição socioeconômica de colegas. A Unisa, em nota, informou que os grupos de mensagens são ambientes privados e não possuem vínculo institucional, embora tenha ressaltado que suas normas internas repudiam qualquer forma de preconceito.

Os episódios reacendem o debate sobre a ética na formação médica e o acesso ao ensino superior. O Código de Ética Médica, regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina, veda expressamente qualquer tipo de discriminação no exercício da profissão. As denúncias ocorrem em um contexto de crescente polarização política no país, que tem resultado em episódios de intolerância em diversos setores da sociedade.

Em resumo

  • Estudantes de medicina da Unisa (SP) e do Imepac (MG) sofreram ataques discriminatórios após o segundo turno das eleições.
  • Em Minas Gerais, dois alunos são investigados administrativamente e na esfera policial por ofensas a bolsistas do Prouni e Fies.
  • Em São Paulo, denúncias apontam ataques contra nordestinos e beneficiários de programas sociais em grupos de WhatsApp da universidade.
  • As instituições de ensino repudiaram as condutas, embora a Unisa tenha pontuado que não possui controle sobre grupos privados de alunos.

Fonte: Revista Fórum

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