Confiança do comércio ensaia recuperação em outubro após dois meses de queda
Índice da FGV aponta alta no otimismo dos comerciantes, mas especialistas alertam que o endividamento das famílias ainda freia o consumo.

Foto: Movimentação em shopping Crédito: Reuters/Pilar Olivares · Original e licença
O setor de comércio brasileiro conseguiu interromper uma sequência de dois meses de pessimismo ao registrar um avanço em outubro. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, o Índice de Confiança do Comércio subiu 1,8 ponto, fixando-se em 83,1 pontos.
Apesar do resultado positivo no mês, a média móvel trimestral ainda reflete um cenário de cautela, com uma retração de 0,8 ponto, atingindo 82,9 pontos. O otimismo de outubro foi impulsionado tanto pela avaliação do presente quanto pelas perspectivas futuras. O Índice de Situação Atual subiu 1,8 ponto, chegando a 82,1 pontos, puxado por uma melhora na percepção sobre o volume de demanda e o estado atual dos negócios.
No campo das projeções, o Índice de Expectativas avançou 1,7 ponto, alcançando 85,0 pontos. Um dado que chamou a atenção foi o indicador de Tendência dos Negócios, que saltou 4,8 pontos e atingiu 86,5 pontos, o maior nível desde fevereiro. Contudo, o setor ainda demonstra cautela com o futuro imediato das vendas, já que o indicador de Vendas Previstas recuou 1,5 ponto, atingindo 84,0 pontos, o menor patamar desde setembro do ano passado.
Rodolpho Tobler, superintendente adjunto da FGV, ponderou que a alta de outubro serve apenas para compensar parte das perdas recentes. O especialista atribuiu a interrupção da queda a possíveis estímulos, como o reajuste de programas sociais, mas ressaltou que o alto nível de comprometimento da renda das famílias brasileiras continua sendo um entrave significativo. Para ele, ainda é cedo para afirmar se houve uma mudança definitiva de tendência ou se o resultado é apenas um movimento isolado.
Em resumo: - O Índice de Confiança do Comércio subiu 1,8 ponto em outubro, alcançando 83,1 pontos. - O indicador de Tendência dos Negócios teve alta expressiva de 4,8 pontos. - O indicador de Vendas Previstas caiu 1,5 ponto, atingindo o menor nível desde setembro do ano passado. - O comprometimento da renda das famílias segue como o principal desafio para a sustentabilidade do crescimento do setor.
Fonte: Brasil 247

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