PT articula frente ampla com centro e direita para isolar investida golpista de Flávio Bolsonaro
Após carta de Flávio Bolsonaro questionando o resultado das urnas, cúpula petista mobiliza legendas para blindar a democracia e isolar o senador derrotado.

Foto: O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarca nos EUA após ser derrotado por Lula (PT) - Eva Marie Uzcategui/REUTERS · Original e licença
Em uma ofensiva para blindar o resultado das urnas e isolar o senador Flávio Bolsonaro (PL), a cúpula do PT articulou uma reação coordenada com lideranças de partidos de centro e direita. A movimentação ocorreu logo após o parlamentar, que se encontra nos Estados Unidos, divulgar uma carta com teor golpista na última quarta-feira (28).
Segundo apuração da jornalista Catia Seabra, da Folha de S.Paulo, dirigentes petistas entraram em contato direto com os presidentes do União Brasil, Antonio Rueda; do PSD, Gilberto Kassab; e do MDB, Baleia Rossi. O objetivo era obter manifestações públicas de reconhecimento à vitória de Lula e à lisura do processo eleitoral, retirando qualquer legitimidade das alegações de fraude feitas pelo senador derrotado.
A estratégia surtiu efeito imediato. As três legendas publicaram notas reafirmando o compromisso com a democracia e o respeito ao resultado oficial. O União Brasil destacou que a democracia é um valor inegociável, enquanto o MDB reforçou sua total confiança no sistema eleitoral. O PSD, por sua vez, reiterou o reconhecimento da vitória petista, posição que já havia sido manifestada anteriormente.
A investida de Flávio Bolsonaro, que chegou a se autodeclarar presidente eleito antes de editar o texto para se intitular "líder do Brasil", é vista por aliados de Lula como uma tentativa desesperada de manter relevância política a partir do exterior. Mesmo entre os bolsonaristas, a narrativa encontrou resistência: Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, admitiu que não há provas de fraudes nas eleições.
Enquanto o PT planeja manter a mobilização nas redes sociais e o diálogo com movimentos sociais para conter novas ofensivas, o cenário jurídico de Flávio se complica. O senador deixou o Brasil via Argentina utilizando passaporte italiano, após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega de seus documentos de viagem em uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro.
Em resumo
- PT articulou com União Brasil, PSD e MDB uma resposta pública contra a carta golpista de Flávio Bolsonaro.
- Partidos de centro e direita divulgaram notas reconhecendo a vitória de Lula e a lisura do pleito.
- Flávio Bolsonaro, que está nos EUA, questionou o resultado sem apresentar provas, sendo desautorizado até por seu coordenador de campanha.
- O senador é alvo de investigação no STF e deixou o país após ordem judicial para entrega de passaportes.
Fonte: Folha de S.Paulo

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