Letalidade policial em São Paulo dispara e atinge média de uma morte a cada 12 horas
Levantamento aponta aumento expressivo nas mortes por intervenções policiais sob a gestão de Tarcísio de Freitas, superando indicadores de anos anteriores.

Foto: Tarcísio de Freitas Crédito: Lula Marques/Agência Brasil · Original e licença
A política de segurança pública adotada pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo tem sido marcada por uma escalada na letalidade policial. Dados oficiais analisados pela Folha de S.Paulo revelam que, entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, as polícias Civil e Militar provocaram, em média, uma morte a cada 12 horas e 13 minutos. O índice representa um salto de cerca de 70% na frequência de óbitos em comparação com 2022, quando o intervalo era de 20 horas e 48 minutos.
A tendência de alta consolidou-se ao longo da atual gestão. Em 2023, o intervalo entre as mortes era de 17 horas e 23 minutos, caindo para 10 horas e 48 minutos em 2024 e atingindo o patamar de 10 horas e 30 minutos em 2025. Mesmo com a troca no comando da Secretaria da Segurança Pública, agora sob a gestão de Osvaldo Nico Gonçalves, a frequência entre janeiro e agosto de 2026 manteve-se elevada, em uma morte a cada 12 horas e 9 minutos.
Especialistas apontam que o cenário é reflexo do abandono de mecanismos de controle e gestão do uso da força que haviam sido implementados em administrações anteriores. Para Luís Flávio Sapori, professor da PUC Minas, a atual estratégia prioriza o confronto direto. A mesma avaliação é compartilhada por Carolina Ricardo, do Instituto Sou da Paz, que destaca a perda de prioridade de ferramentas como as câmeras corporais e o acompanhamento psicológico dos agentes.
A Secretaria da Segurança Pública confirmou os números, mas não apresentou justificativa específica para o crescimento. Em nota, a pasta defendeu que a análise deve considerar outros indicadores, como o aumento de 4,36% nas prisões e 12,83% nos inquéritos instaurados entre janeiro e agosto de 2026, e reforçou que mantém protocolos que priorizam a comunicação verbal e o uso proporcional da força.
Em resumo
- A letalidade policial em SP cresceu 70% sob a gestão Tarcísio em comparação a 2022.
- Especialistas criticam o abandono de políticas de controle e o foco no confronto direto.
- O governo estadual confirmou os dados, mas ressaltou o aumento em indicadores de produtividade policial.
Fonte: Brasil 247

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