Diplomatas classificam como delírio tentativa de Flávio Bolsonaro de se comparar a Guaidó
A chegada de Flávio Bolsonaro aos EUA gera isolamento diplomático e críticas internas, com democratas ameaçando investigar a operação de acolhimento.

Foto: Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami nesta quarta-feira (28), menos de 42 horas depois de afirmar que não pretendia deixar o Brasil Crédito: Reprodução/YouTube · Original e licença
A chegada de Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos após sua derrota nas eleições brasileiras gerou perplexidade e críticas severas entre diplomatas latino-americanos em Washington. Em conversas reservadas, representantes de diversos países classificaram como um "delírio" a tentativa do senador de traçar paralelos entre sua situação e a trajetória de Juan Guaidó na Venezuela.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, a comparação foi prontamente rejeitada pela comunidade internacional. Enquanto Guaidó obteve reconhecimento de 88 países durante sua autoproclamação, Flávio Bolsonaro não recebeu respaldo equivalente de governos estrangeiros. A vitória do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por outro lado, foi validada pelo Parlamento Europeu e pela maioria das nações sul-americanas, além de ter sido atestada por observadores como o Carter Center.
A tentativa de Flávio de se autointitular "presidente eleito" em documentos oficiais também sofreu intervenção. Conforme apurado pelo UOL, o Departamento de Estado dos EUA, sob comando de Marco Rubio, exigiu a alteração do termo para "líder do Brasil". A medida visa evitar uma ruptura institucional com Brasília e proteger interesses econômicos estadunidenses, uma vez que o governo Trump, embora crítico ao processo eleitoral brasileiro, evitou reconhecer formalmente o senador como vencedor.
O episódio também trouxe repercussões políticas internas nos Estados Unidos. Estrategistas do Partido Democrata avaliam que a operação de acolhimento, revelada pelo The New York Times, pode ser explorada como um desgaste para Donald Trump. Caso os democratas conquistem o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato, comissões de Relações Exteriores podem abrir investigações sobre a coordenação da entrada do brasileiro no país.
O caso reacendeu ainda o debate sobre a política migratória americana. Usuários nas redes sociais e analistas apontam um contraste entre o tratamento privilegiado dado a Flávio Bolsonaro — que chegou ao país com passaporte suspenso e sob investigação judicial — e a repressão rigorosa do governo Trump contra imigrantes latino-americanos sem documentação regular.
Em resumo
- Diplomatas rejeitam a comparação entre Flávio Bolsonaro e Juan Guaidó por falta de reconhecimento internacional.
- O Departamento de Estado dos EUA forçou a mudança de "presidente eleito" para "líder do Brasil" em documentos do senador.
- O Partido Democrata estuda investigar a operação de entrada de Flávio nos EUA caso vença as eleições legislativas.
- A recepção ao senador é alvo de críticas por evidenciar um tratamento diferenciado em relação a outros imigrantes.
Fonte: Brasil 247

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