Uso de brasão oficial em manifesto golpista pode levar Flávio Bolsonaro à Justiça
Após se autoproclamar presidente em documento com símbolos da República, senador é alvo de críticas de juristas que apontam possível crime contra a fé pública.

Foto: O senador Flávio Bolsonaro - Flávio Bolsonaro - Foto: Zanone Fraissat/Folhapress · Original e licença
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está sob o escrutínio de especialistas em direito após publicar um manifesto onde se declarava presidente eleito do Brasil. O texto, divulgado logo após a derrota de seu grupo político nas urnas, chamou a atenção não apenas pelo conteúdo, mas pela estética utilizada para conferir uma falsa aparência de legitimidade estatal ao documento.
Para simular um ato oficial, o parlamentar utilizou o Brasão das Armas Nacionais e recorreu a grafias obsoletas, como a menção a Estados Unidos do Brasil e o uso da letra z em Brazil. Essa tentativa de mimetizar documentos do Poder Executivo gerou preocupação entre juristas, que enxergam na conduta uma possível violação ao Código Penal brasileiro.
O constitucionalista Pedro Serrano afirmou que o episódio demanda uma investigação rigorosa por parte das autoridades. Segundo o professor, o uso indevido e a alteração de símbolos públicos podem configurar infração penal, sendo necessário apurar se houve a intenção de induzir a população ao erro, o que se enquadraria no artigo 296 do Código Penal.
A criminalista Soraia Mendes reforçou que a legislação brasileira protege de forma estrita os símbolos da pátria. A advogada explicou que tanto a alteração das insígnias quanto a aplicação do brasão em documentos que não possuem caráter oficial são condutas tipificadas como crime, uma vez que ferem a fé pública e o respeito devido aos emblemas nacionais.
O jurista Lenio Streck pontuou que, embora a liberdade de expressão seja um direito fundamental, ela não pode ser confundida com a usurpação de autoridade. Para o especialista, o Direito Penal deve atuar quando há o uso da estética estatal para forjar uma investidura inexistente, desrespeitando a legitimidade das urnas e a ordem democrática.
Diante da repercussão, cresce a pressão para que a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal iniciem uma apuração formal. Caso o inquérito seja aberto e avance, o senador pode responder por crimes contra a fé pública, além de enfrentar processos por quebra de decoro parlamentar no Senado.
Em resumo: - Flávio Bolsonaro usou o Brasão da República em um manifesto pessoal para simular um ato oficial. - Especialistas apontam que a conduta pode violar o artigo 296 do Código Penal. - Juristas defendem que o uso indevido de símbolos nacionais para fins políticos exige investigação imediata.
Fonte: Revista Fórum

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