Política

Casa Branca freia delírio de Flávio Bolsonaro e exige mudança em carta golpista

Após pressão de diplomatas americanos, senador derrotado precisou retirar o título de presidente eleito de documento oficial para não comprometer relações entre Washington e o governo Lula.

Foto: Flávio Bolsonaro e Donald Trump Crédito: Reprodução/X/@FlavioBolsonaro · Original e licença

A tentativa de Flávio Bolsonaro de se autoproclamar presidente do Brasil a partir dos Estados Unidos encontrou uma barreira inesperada dentro do próprio governo de Donald Trump. O senador, que viajou ao país norte-americano após perder a disputa eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva, foi forçado a editar uma carta pública onde se apresentava como o verdadeiro vencedor do pleito. A alteração ocorreu sob pressão de autoridades do Departamento de Estado, que enxergaram na postura do brasileiro um risco desnecessário para a diplomacia entre as duas nações.

O documento original, que circulou em Washington na última quarta-feira (28), trazia o senador como presidente eleito. Menos de uma hora depois, uma nova versão foi publicada nas redes sociais de Flávio, trocando o termo por líder do Brasil. Segundo relatos de fontes diplomáticas, a Casa Branca deixou claro que, embora tenha autorizado a entrada do senador e de sua família por motivos de segurança, não pretende reconhecer qualquer pretensão de poder que desafie o resultado oficial das urnas brasileiras.

A avaliação interna em Washington é de que tratar o senador como um governante paralelo seria um erro estratégico grave, semelhante ao desgaste causado pelo apoio a Juan Guaidó na Venezuela. Diplomatas americanos destacaram que a manutenção de canais abertos com o governo Lula é uma prioridade, especialmente para garantir a aprovação de nomes como o de Danny Perez para a embaixada em Brasília. O pragmatismo, defendido pelo secretário de Estado Marco Rubio, prevaleceu sobre as vozes do entorno presidencial que ainda tentam questionar a legitimidade da vitória de Lula, confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral com 51,79% dos votos.

Do lado dos aliados de Flávio, a versão oficial sobre a mudança no texto foi minimizada. O comentarista Paulo Figueiredo negou qualquer interferência direta de autoridades americanas na redação do documento, atribuindo a confusão a falhas técnicas durante o uso de ferramentas de inteligência artificial na elaboração da carta. Enquanto isso, o próprio Donald Trump, ao ser questionado sobre a reivindicação do senador, evitou endossar o discurso de vitória, limitando-se a classificar a eleição brasileira como estranha, sem se comprometer com a narrativa de fraude.

Em resumo: - Flávio Bolsonaro foi obrigado a remover o título de presidente eleito de uma carta após intervenção de diplomatas dos EUA. - O governo Trump busca evitar uma crise diplomática com o Brasil e não pretende reconhecer lideranças paralelas. - A estratégia americana visa não repetir o fracasso diplomático ocorrido com o caso de Juan Guaidó na Venezuela. - Aliados do senador alegaram que a mudança no texto foi apenas um erro técnico causado por inteligência artificial.

Fonte: Brasil 247

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