Plataforma bolsonarista cria lista de boicote contra empresas que apoiam Lula
Site anônimo expõe estabelecimentos e funcionários por posicionamento político, gerando reação de órgãos federais e denúncias de perseguição.

Foto: Plataforma Meu Dinheiro Não / Reprodução · Original e licença
Uma nova plataforma digital, intitulada 'Meu Dinheiro Não', tem sido utilizada por grupos bolsonaristas para promover o boicote a empresas cujos proprietários ou funcionários manifestaram apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O site, que ganhou visibilidade na rede X, classifica os estabelecimentos em categorias de 'alerta' ou 'recomendadas', expondo publicamente marcas e comércios com base em postagens em redes sociais.
A iniciativa não faz distinção entre opiniões pessoais de colaboradores e o posicionamento institucional das empresas. Entre os alvos da lista estão desde grandes redes, como uma unidade da Adidas em Manaus, até pequenos negócios, como uma sorveteria no Pará e a marca de cosméticos Bruna Tavares House. Os responsáveis pelo site, que não se identificam, alegam que a plataforma apenas oferece aos consumidores a liberdade de escolha sobre onde gastar seu dinheiro.
A prática, contudo, acende um alerta jurídico. O Tribunal de Justiça de São Paulo já possui precedente de condenação por crime de perseguição contra indivíduos que organizaram listas semelhantes em 2022. Especialistas apontam que, embora o boicote possa ser visto como liberdade de expressão, a exposição indevida e a disseminação de informações sem critério podem resultar em responsabilização civil e criminal.
O cenário de hostilidade política reflete-se nos números do Ministério Público do Trabalho (MPT). Entre a noite de domingo (25) e a tarde de terça-feira (27), o órgão recebeu 530 novas denúncias de discriminação política, ameaças de demissão e retaliações no ambiente de trabalho. Diante da escalada, parlamentares do PT solicitaram uma investigação nacional à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal para identificar os financiadores e os responsáveis pela plataforma.
Em resposta, o Ministério do Trabalho e Emprego, em conjunto com a AGU e o MPT, anunciou medidas para combater a discriminação política, incluindo a notificação de plataformas digitais para a remoção de conteúdos que incitem a perseguição. O MPT ressaltou que sua atuação depende da comprovação de danos concretos às relações laborais, como ameaças ou dispensas motivadas por convicções ideológicas.
Em resumo
- Site anônimo lista e persegue empresas por apoio político ao presidente Lula.
- MPT registrou um salto de 530 denúncias de assédio político em apenas três dias.
- Governo federal e parlamentares articulam medidas legais para conter a discriminação no trabalho.
- Justiça paulista já condenou autores de listas de boicote similares por crime de perseguição.
Fonte: ICL Notícias

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