Além da fome: o novo desafio do Brasil para garantir comida saudável na mesa
Após sair do Mapa da Fome da ONU, governo federal enfrenta o desafio de tornar a alimentação equilibrada acessível a milhões de brasileiros.

Foto: Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião do Conselho de Campeões (“Board of Champions”) da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, realizada na sede da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Sede da FAO – Roma (Itália) Crédito: Ricardo Stuckert/PR · Original e licença
O Brasil consolidou uma vitória histórica ao sair oficialmente do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU). Com a taxa de subnutrição abaixo de 2,5% registrada em julho de 2025, o país reverteu o cenário crítico de anos anteriores. Agora, o foco do governo Lula se volta para um novo patamar de segurança alimentar: garantir que a população tenha acesso não apenas a calorias, mas a uma dieta saudável e equilibrada.
Apesar do avanço, o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo (Sofi)”, da FAO, aponta que cerca de 44,8 milhões de brasileiros ainda encontram barreiras financeiras para manter uma alimentação completa, que inclua frutas, verduras, proteínas e leguminosas. O número de pessoas em insegurança alimentar moderada ou grave caiu de 39,7 milhões, no triênio 2021-2023, para 20,3 milhões no período de 2023 a 2025.
Para enfrentar esse desafio, o governo aposta na valorização do salário mínimo e na reestruturação de programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que fortalece a agricultura familiar. Paralelamente, o protocolo “Brasil Sem Fome” busca integrar redes de assistência e saúde para localizar famílias em vulnerabilidade extrema. Em maio de 2026, o país também deu um passo importante ao propor à Organização Mundial da Saúde (OMS) diretrizes globais para regular a publicidade e a venda de alimentos ultraprocessados.
Especialistas alertam que o custo de uma dieta saudável ainda é proibitivo para grande parte da população. Segundo José Graziano, ex-diretor-geral da FAO, o valor mensal para uma alimentação equilibrada pode chegar a R$ 1 mil por pessoa, o que compromete quase a totalidade do salário mínimo atual. A solução, segundo especialistas como Elisabetta Recine, do Consea, passa pelo encurtamento das cadeias de abastecimento e pelo incentivo à produção local, reduzindo a dependência de circuitos logísticos longos que encarecem os alimentos frescos.
Em resumo
- O Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU com subnutrição abaixo de 2,5% em julho de 2025.
- A insegurança alimentar moderada ou grave caiu para 20,3 milhões de pessoas no triênio 2023-2025.
- 44,8 milhões de brasileiros ainda enfrentam dificuldades para custear uma dieta saudável.
- O governo propôs à OMS, em maio de 2026, novas diretrizes para regular o mercado de ultraprocessados.
Fonte: Brasil 247

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