Política

Lula endurece critérios e atrela cargos no quarto mandato à fidelidade no Congresso

Presidente inicia negociações para a nova Esplanada com foco em garantir apoio legislativo e evitar derrotas em votações estratégicas.

Foto: Lula e a então ministra Gleisi Hoffmann, no 17° Encontro Nacional do PT. - Pedro Ladeira - 3.ago.25/Pedro Ladeira/Folhapress · Original e licença

O presidente Lula (PT) prepara o terreno para a montagem de seu quarto mandato com uma mudança estratégica na relação com o Legislativo. A partir da próxima semana, o petista inicia as articulações para definir a nova Esplanada dos Ministérios, com o objetivo de concluir a estrutura até o dia 20 de dezembro.

Diferente dos mandatos anteriores, a distribuição de pastas não será baseada apenas no tamanho das bancadas partidárias. Segundo apuração da Folha de S.Paulo, o governo adotará uma política de condicionalidade: a ocupação de cargos no Executivo estará atrelada à promessa de fidelidade às pautas governistas. A missão de conduzir as conversas iniciais com o centro foi delegada ao presidente do PT, Edinho Silva.

A estratégia visa blindar o governo contra derrotas legislativas. O MDB, por exemplo, surge como um dos interlocutores centrais, sinalizando a entrega de 30 votos em troca de espaço, com o nome do ex-governador Helder Barbalho sendo ventilado para compor o primeiro escalão.

O desenho do novo governo também deve contemplar aliados que sofreram derrotas eleitorais recentes, como Gleisi Hoffmann, Fernando Haddad e Paulo Pimenta. Para o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), a expectativa é de um papel ampliado, com maior protagonismo em viagens e articulações políticas, sendo cotado para assumir as pastas da Defesa ou da Fazenda.

Além da composição ministerial, o presidente avalia nomes que possam se viabilizar como sucessores para o fim do mandato, incluindo Rafael Fonteles, Camilo Santana e Fernando Haddad. Lula também planeja inovar na comunicação, criando uma estrutura própria para suas redes sociais, desvinculada da Secretaria de Comunicação da Presidência.

Em resumo

  • A ocupação de ministérios será condicionada à fidelidade de votos no Congresso.
  • Edinho Silva lidera as negociações com partidos de centro para a nova Esplanada.
  • Geraldo Alckmin deve ganhar mais protagonismo no novo mandato.
  • Lula planeja criar uma estrutura de comunicação pessoal independente da Secom.

Fonte: Folha de S.Paulo

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