Política · Economia

Os números que o mercado financeiro prefere ignorar sobre o governo Lula

Análise aponta que, apesar das críticas e da volatilidade, o setor financeiro acumulou lucros expressivos e valorização de ativos durante a gestão petista.

Foto: Presidente Lula Crédito: Ricardo Stuckert · Original e licença

A reeleição de Lula trouxe de volta o roteiro habitual do mercado financeiro: discursos de desconfiança, pressão sobre o dólar e alertas sobre a volatilidade da Bolsa. Enquanto analistas, como os citados em reportagem do InfoMoney, apontam a política fiscal como o epicentro da instabilidade, os dados do período revelam uma realidade distinta para o setor financeiro.

O desempenho dos ativos brasileiros desde o início de 2023 desafia a narrativa de crise. O Ibovespa, que encerrou 2022 na casa dos 110 mil pontos, mantém-se acima dos 169 mil pontos mesmo após as recentes oscilações, representando uma valorização nominal superior a 54%. No campo cambial, a desvalorização do real em quase quatro anos foi de apenas 3%, com a moeda saindo de R$ 5,22 em janeiro de 2023 para R$ 5,37 em 29 de outubro de 2026.

A rentabilidade bancária também atingiu patamares elevados. Entre 2023 e 2025, Itaú, Bradesco e Santander Brasil acumularam lucros de aproximadamente R$ 216,6 bilhões. Somente em 2025, o lucro líquido desses três bancos somado ao do BTG Pactual alcançou R$ 101,5 bilhões. Além disso, quem investiu no CDI no início de 2023 obteve um retorno bruto próximo de 60% até outubro de 2026.

O debate sobre a responsabilidade fiscal é legítimo e necessário para o país, mas a discussão precisa ser ampliada. Atualmente, o Brasil destina cerca de R$ 1,2 trilhão por ano ao pagamento de juros da dívida pública, recursos que acabam concentrados nas mãos de grandes investidores e instituições financeiras. O cenário sugere que, embora o mercado financeiro mantenha uma postura crítica em relação ao governo, os resultados financeiros do setor indicam uma trajetória de ganhos sólidos.

Em resumo

  • O Ibovespa acumula alta superior a 54% desde o final de 2022, superando os 169 mil pontos.
  • Bancos como Itaú, Bradesco, Santander e BTG Pactual registraram lucros bilionários, totalizando R$ 101,5 bilhões apenas em 2025.
  • A conta de juros da dívida pública brasileira atinge a marca de R$ 1,2 trilhão anuais, beneficiando detentores de títulos públicos.

Fonte: Brasil 247

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