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A sombra de Milei na fuga de Flávio Bolsonaro: entenda as suspeitas e o papel do governo argentino

A operação de fuga do senador Flávio Bolsonaro para os EUA, via Argentina, levanta questionamentos sobre o envolvimento de aliados do presidente Javier Milei e o uso de recursos públicos.

Foto: Santiago Caputo e o presidente da Argentina, Javier Milei, chegam ao comitê do partido A Liberdade Avança após eleições - 7.set.2026/AFP · Original e licença

A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, concretizada na madrugada da última quarta-feira (28), continua gerando um rastro de incertezas sobre o possível envolvimento direto do governo de Javier Milei na operação. O parlamentar, que deixou o Brasil após ter seus passaportes cancelados por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, utilizou um documento italiano para ingressar na Argentina e um passaporte diplomático brasileiro para seguir rumo ao território americano.

O jato privado utilizado na etapa argentina da fuga foi operado pela empresa Baires Fly S.A., companhia que já esteve no centro de investigações sobre lavagem de dinheiro envolvendo contratos públicos de insumos médicos no país vizinho. Segundo informações divulgadas pelo jornal argentino El Clarín, Santiago Caputo, um dos principais assessores de Milei, teria monitorado a logística da operação a partir de Porto Iguaçu, local de onde o senador partiu.

Relatos apontam que a movimentação em Porto Iguaçu contou com o suporte de veículos ligados à Entidade Binacional de Yacyretá, órgão que administra a hidrelétrica compartilhada entre Argentina e Paraguai. Funcionários da entidade foram identificados em uma blitz rodoviária na mesma noite da fuga, o que intensificou a pressão da oposição argentina sobre o governo liberal.

Embora o Tribunal Federal de Misiones tenha arquivado, em menos de 48 horas, uma denúncia que apontava irregularidades na entrada de Flávio no país, o caso segue sob escrutínio em outras instâncias. Processos em curso em Buenos Aires investigam agora se houve crimes de encobrimento agravado e o uso indevido de recursos públicos por parte de integrantes da gestão Milei para facilitar a saída do senador brasileiro.

Em resumo

  • Flávio Bolsonaro fugiu para os EUA após o cancelamento de seus passaportes pelo STF.
  • A operação utilizou um jato de empresa investigada por corrupção na Argentina.
  • Opositores denunciam possível auxílio de assessores de Milei e uso de veículos oficiais na logística.
  • A Justiça argentina arquivou uma denúncia inicial, mas mantém investigações sobre suposto encobrimento agravado.

Fonte: Folha de S.Paulo

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