Balança comercial brasileira desafia protecionismo e projeta marca histórica em 2026
Mesmo com tarifas impostas pelos EUA, governo Lula estima superávit de US$ 84,4 bilhões, impulsionado pela diversificação de mercados e alta demanda chinesa.

Foto: Fernando Haddad, Lula e Geraldo Alckmin - Foto: Ricardo Stuckert / PR · Original e licença
O Brasil caminha para encerrar 2026 com o segundo maior superávit comercial de sua história. De acordo com projeções do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o saldo positivo deve atingir US$ 84,4 bilhões, um desempenho que supera as expectativas do mercado financeiro e demonstra resiliência diante de um cenário internacional adverso, marcado pelo protecionismo dos Estados Unidos e conflitos no Oriente Médio.
O resultado esperado representa um avanço de 24% em relação ao ano anterior. Até a quarta semana de outubro, o país já acumulava um saldo de US$ 69,8 bilhões, o que reflete um crescimento de 36,4% na comparação com o mesmo período de 2025. A estratégia de diversificação de parceiros comerciais tem sido o pilar central para mitigar a queda de 6,5% nas exportações destinadas ao mercado norte-americano.
A China consolidou-se como o principal motor desse movimento. Com a instabilidade no fornecimento de petróleo pelo Golfo Pérsico, a demanda chinesa pelo produto brasileiro disparou, registrando um aumento de 49% nas exportações entre janeiro e setembro. Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China, o petróleo tornou-se o item líder da pauta exportadora, com vendas acumuladas de US$ 43 bilhões.
Para a economista Carla Beni, da Fundação Getulio Vargas, em análise publicada pelo jornal Estadão, a política de retomada das relações internacionais conduzida pelo governo Lula foi determinante para reposicionar o Brasil no comércio global. Além do fortalecimento com potências asiáticas, o governo destaca a abertura de 700 novos mercados para produtos agropecuários desde 2023.
Em paralelo ao setor externo, as contas públicas também apresentaram um sinal positivo em setembro, com o Governo Central registrando um superávit primário de R$ 4,839 bilhões. O valor, que reverteu o déficit observado no mesmo mês de 2025, foi impulsionado pela recuperação de recursos após decisões judiciais sobre precatórios.
Em resumo
- O governo projeta superávit comercial de US$ 84,4 bilhões para 2026, o segundo maior da história.
- A diversificação de mercados e o aumento das exportações de petróleo para a China compensam a queda nas vendas para os EUA.
- O Governo Central registrou superávit primário de R$ 4,839 bilhões em setembro, superando previsões de mercado.
Fonte: Revista Fórum

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