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Entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA vira munição democrata contra Trump na reta final da campanha

A chegada do senador brasileiro aos Estados Unidos gerou uma ofensiva de congressistas democratas, que questionam a seletividade migratória do governo Trump a poucos dias das eleições legislativas.

Foto: Donald Trump e Flávio Bolsonaro: acolhimento do senador brasileiro nos Estados Unidos provoca críticas de democratas às vésperas das eleições legislativas Crédito: Reuters | Reprodução · Original e licença

A recepção de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo governo de Donald Trump, logo após a derrota de seu grupo político no Brasil, transformou-se em um problema diplomático e eleitoral para a Casa Branca. A apenas três dias das eleições legislativas, marcadas para a próxima terça-feira, parlamentares do Partido Democrata intensificaram as críticas, utilizando o episódio para questionar a política migratória da atual gestão republicana.

O descontentamento ganhou contornos formais na última quinta-feira, quando um bloco de 25 congressistas enviou um documento ao secretário de Estado, Marco Rubio. O grupo, que inclui nomes como Pramila Jayapal e Joaquin Castro, exige esclarecimentos sobre os critérios utilizados para a concessão de vistos ao senador e seus familiares. Os parlamentares buscam saber se houve algum tipo de suporte logístico ou facilitação por parte de autoridades estadunidenses para que o brasileiro deixasse o país, especialmente considerando as restrições judiciais impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A narrativa democrata aponta para uma suposta seletividade no tratamento de estrangeiros. Enquanto o governo Trump mantém políticas rigorosas de contenção para refugiados que fogem de conflitos no Haiti e no Sudão, a entrada de Flávio Bolsonaro é vista por opositores como um privilégio concedido a um aliado político. O deputado Joaquin Castro afirmou que a derrota eleitoral não justifica a concessão de asilo e cobrou transparência sobre o papel de Washington na saída do senador do território brasileiro.

A repercussão do caso foi observada em diversas plataformas oficiais de membros do Congresso, tornando o Brasil um tema recorrente na disputa eleitoral americana. A deputada Pramila Jayapal indicou que, caso os democratas garantam a maioria na Câmara dos Representantes, o episódio poderá ser alvo de investigações formais. A parlamentar também criticou a postura de Trump ao questionar a legitimidade do pleito brasileiro sem apresentar provas, comparando a retórica do republicano à que ele utiliza em seu próprio país.

O Departamento de Estado, que confirmou a intenção de conceder os vistos, tem até o dia 13 de novembro para responder aos questionamentos formais enviados pelo grupo de congressistas. Embora analistas como o pesquisador Vitor dos Santos Bueno, da UnB, avaliem que o caso dificilmente alterará o resultado das urnas, o episódio reforça as críticas à administração republicana em um momento decisivo para o equilíbrio de forças no Legislativo dos Estados Unidos.

Em resumo: - Um grupo de 25 congressistas democratas enviou uma carta ao Departamento de Estado exigindo explicações sobre a entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA. - Parlamentares questionam se houve auxílio logístico do governo Trump para a saída do senador, ignorando restrições judiciais brasileiras. - O caso é utilizado por democratas para denunciar a seletividade da política migratória republicana na reta final da campanha eleitoral. - O governo dos EUA tem até 13 de novembro para responder formalmente aos questionamentos do Congresso.

Fonte: Brasil 247

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