Miami: o porto seguro da extrema-direita latino-americana
Análise sobre como a cidade da Flórida se consolidou como refúgio histórico para políticos conservadores, incluindo a recente fuga de Flávio Bolsonaro.

Foto: Flávio Bolsonaro desembarca no aeroporto executivo de Opa-Locka, em Miami, na Flórida - Ricardo Arduengo - 28.out.26/AFP · Original e licença
Miami consolidou-se, ao longo das décadas, como o destino preferencial para figuras políticas latino-americanas que buscam abrigo após crises em seus países de origem. O fenômeno, que remonta à chegada do ex-ditador cubano Gerardo Machado em 1933, transformou a cidade em um reduto da direita regional, atraindo nomes como Fulgêncio Batista, Marcos Pérez Jiménez e, mais recentemente, o senador Flávio Bolsonaro.
Após a confirmação de sua derrota eleitoral para Lula, Flávio Bolsonaro protagonizou uma fuga cinematográfica. Investigado por corrupção e lavagem de dinheiro, o parlamentar descumpriu uma ordem judicial de entrega de passaporte, cruzou a fronteira com a Argentina e utilizou um voo fretado, com escala no Equador, para chegar à Flórida. Ao desembarcar, chegou a se autoproclamar "presidente eleito" em uma nota, emulando táticas de Juan Guaidó, antes de recuar para a autodenominação de "líder do Brasil".
A presença de Flávio em Miami ocorre em um cenário onde outros membros do clã Bolsonaro também enfrentam a Justiça brasileira. Seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado, enquanto seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, encontra-se foragido no Texas sob mandado de prisão por coação ao Judiciário. O advogado Willer Tomaz, investigado no mesmo inquérito que apura lavagem de dinheiro em plataformas de apostas envolvendo o filho do ex-presidente, também está radicado na região.
A força política conservadora em Miami é sustentada por uma base eleitoral composta majoritariamente por cubanos e venezuelanos que adotaram um discurso antimarxista. Dados do distrito de Miami-Dade indicam que, em janeiro deste ano, o Partido Republicano contava com cerca de 350 mil filiados hispânicos, quase o dobro dos 180 mil democratas. Esse ambiente é fortalecido pela atuação de figuras como o secretário de Estado de Trump, Marco Rubio, que intensificou o intervencionismo americano na região.
Em resumo
- Miami mantém um histórico de décadas como refúgio para líderes conservadores latino-americanos em fuga.
- Flávio Bolsonaro chegou à cidade após descumprir ordem judicial e ser derrotado nas urnas.
- O clã Bolsonaro enfrenta diversas condenações e mandados de prisão no Brasil.
- A demografia política local, majoritariamente republicana, oferece suporte ideológico e logístico a essas figuras.
Fonte: Folha de S.Paulo

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