O fim do mito da hegemonia bolsonarista no Congresso
Análise aponta que o resultado das eleições presidenciais forçou um reequilíbrio de forças no Legislativo, devolvendo ao centrão o papel de fiel da balança.

Foto: Plenário do Senado Federal durante discussão da PEC da Segurança - Pedro Ladeira - 15.out.26/Folhapress · Original e licença
A narrativa de que o Congresso Nacional estaria sob domínio absoluto do bolsonarismo a partir de 2027 começa a ser desconstruída pela realidade política pós-eleitoral. Embora o PL tenha conquistado cadeiras expressivas na Câmara e no Senado, o cenário atual aponta para uma correlação de forças muito mais fluida do que o previsto inicialmente.
Segundo a colunista Dora Kramer, da Folha de S.Paulo, o próprio presidente do PSD, Gilberto Kassab, já antecipava o movimento de reequilíbrio ainda durante a campanha. A postura de neutralidade adotada pelo PSD, que evitou a adesão automática ao bolsonarismo, reflete a percepção de que o Parlamento opera sob uma lógica de construção de consensos, e não de eliminação do adversário.
O fracasso da oposição na disputa pelo Palácio do Planalto serviu como um freio, sinalizando aos setores mais radicais o risco de isolamento político. Com isso, o centrão recupera seu protagonismo tradicional, voltando a atuar como o fiel da balança necessário para a governabilidade.
Em resumo
- O desempenho do PL nas urnas não se traduziu em hegemonia absoluta no Legislativo.
- O PSD manteve neutralidade estratégica ao prever a vitória de Lula.
- O resultado presidencial forçou o centrão a retomar seu papel de mediador no Congresso.
- A dinâmica parlamentar favorece o entendimento em vez da polarização extrema.
Fonte: Folha de S.Paulo

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