Política

Ética em xeque: médicos são denunciados por discriminação política e ameaça de boicote a pacientes

Profissionais de saúde em diversos estados enfrentam investigações após relatos de perseguição política e ameaças de negar atendimento a eleitores de esquerda.

Foto: Doctor checking information in computer program before filling medical card Crédito: Divulgação · Original e licença

Uma onda de denúncias envolvendo profissionais de saúde tem gerado indignação e preocupação em todo o país. Médicos de estados como Sergipe, Bahia, Espírito Santo, São Paulo e Goiás estão sendo investigados por conselhos regionais e instituições hospitalares após episódios de perseguição política e ameaças de boicote a pacientes identificados como apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os relatos, apurados originalmente pela BBC News Brasil, incluem desde a criação de listas negras de colegas de profissão até postagens em redes sociais que sugerem a recusa de assistência médica, fornecimento de remédios ou auxílio a eleitores petistas. Em um dos casos mais graves, ocorrido em Sergipe, um anestesiologista relatou ter sido incluído em uma lista de 'esquerdistas' compartilhada em um grupo de WhatsApp, o que o levou a buscar proteção policial por medo de represálias.

As consequências administrativas já começaram a aparecer. Em Goiânia, uma ginecologista foi demitida do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara após mensagens em um grupo de trabalho sugerirem a retenção de altas hospitalares baseada na orientação política das pacientes. Em São Paulo, o Hospital Israelita Albert Einstein informou que está tratando internamente a conduta de um cardiologista que afirmou publicamente não atender 'petistas'.

Embora alguns profissionais tenham recuado e pedido desculpas — como uma cardiologista na Bahia que classificou sua postagem como um 'equívoco' —, as entidades de classe reforçam que a conduta fere o Código de Ética Médica. A Resolução nº 2.217/2018 do Conselho Federal de Medicina é clara ao determinar que a medicina deve ser exercida sem qualquer tipo de discriminação, sendo o atendimento obrigatório em situações de urgência e emergência.

Em resumo

  • Médicos em cinco estados foram denunciados por discriminação política e ameaças de boicote a pacientes.
  • Casos incluem listas de perseguição, recusa de atendimento e mensagens discriminatórias em grupos de trabalho.
  • Instituições de saúde e conselhos regionais, como o CRM-ES e o Cremego, abriram investigações sobre as condutas.
  • O Código de Ética Médica proíbe expressamente a discriminação, sujeitando infratores a penalidades que vão de advertência à cassação do exercício profissional.

Fonte: Brasil 247

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