Economistas reagem à pressão do mercado e pedem taxação de super-ricos em vez de cortes sociais
Manifesto assinado por 50 especialistas defende nova política fiscal e critica a influência do mercado financeiro sobre o governo Lula.

Foto: Av. Faria Lima Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil · Original e licença
Um grupo de 50 economistas de diversas universidades brasileiras e internacionais divulgou, nesta sexta-feira (30), um manifesto contundente contra a pressão do mercado financeiro por cortes em despesas sociais. O documento alerta que a insistência em um ajuste fiscal rígido, nos moldes defendidos pela oposição derrotada nas urnas, pode comprometer a sustentabilidade política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os especialistas argumentam que o foco do debate econômico está equivocado. Em vez de reduzir investimentos em áreas essenciais, o grupo propõe a antecipação da tributação de altas rendas — especificamente para quem recebe acima de R$ 600 mil anuais — e a revisão do atual arcabouço fiscal. Segundo o texto, o limite de gastos atual é incompatível com a necessidade de reindustrialização e transição ecológica do país.
O manifesto aponta que o verdadeiro peso na dívida pública, que atingiu 82,9% do PIB em agosto, reside nos juros elevados. De acordo com os signatários, os gastos com juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento nos últimos doze meses, superando em catorze vezes o déficit primário. O grupo defende que o Banco Central interrompa a alta da taxa Selic, atualmente em 13,75%, e que o Conselho Monetário Nacional revise a meta de inflação, retomando o centro de 4,5%.
Entre os nomes que assinam o documento estão professores de instituições como Unicamp, UnB e UFF. O texto faz uma advertência política clara: ao repetir fórmulas de austeridade que, segundo os autores, fragilizaram gestões anteriores, o governo corre o risco de perder o apoio popular e se tornar vulnerável diante de um Congresso com forte presença da oposição.
Em resumo
- 50 economistas propõem taxar altas rendas em vez de cortar gastos sociais.
- O manifesto critica a pressão do mercado financeiro e a política de juros do Banco Central.
- Especialistas sugerem nova regra fiscal que exclua investimentos públicos e sociais dos limites de gastos.
- O documento defende a revisão da meta de inflação para priorizar o pleno emprego.
Fonte: Brasil 247

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