Política · Economia

Boulos reage à pressão do mercado e propõe cortar privilégios em vez de atingir o povo

Ministro Guilherme Boulos defende que o ajuste fiscal do governo Lula foque em desonerações e supersalários, rejeitando a chantagem do mercado financeiro.

Foto: O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, durante entrevista na redação da Folha - Rafaela Araújo - 30.out.26/Folhapress · Original e licença

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), subiu o tom contra as pressões do mercado financeiro sobre a política econômica do quarto mandato do presidente Lula (PT). Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ministro classificou as exigências por cortes drásticos como uma forma de chantagem que, se atendida, anularia a vontade popular expressa nas urnas.

Para Boulos, o caminho para o equilíbrio das contas públicas não deve passar por cortes em áreas essenciais como saúde e educação, mas sim pelo combate a privilégios. O ministro defende uma revisão profunda em três pilares: as desonerações fiscais, que somam cerca de R$ 600 bilhões anuais, os supersalários no setor público e as emendas parlamentares impositivas.

Ao comentar o cenário econômico, Boulos pontuou que a dívida pública, que saltou de 71,7% do PIB no final de 2022 para 82,5% em julho de 2026, deve ser analisada sob a ótica de um projeto de desenvolvimento nacional. Segundo ele, o governo não aceitará um ajuste que penalize os mais pobres, reafirmando que a agenda vitoriosa nas eleições prioriza a manutenção de conquistas sociais.

Sobre a estratégia de governabilidade, o ministro destacou que o governo Lula 4 precisará atuar em múltiplas frentes: o diálogo com o Congresso e o Judiciário, mas também a mobilização constante nas ruas e nas redes sociais. Boulos enfatizou que a disputa pela narrativa será fundamental para garantir o sucesso do mandato e a renovação da esquerda até 2030.

Em relação ao seu futuro político e partidário, Boulos confirmou que seu grupo no PSOL avalia os próximos passos diante de divergências internas, sem descartar mudanças. O ministro evitou antecipar discussões sobre sucessão presidencial, reforçando que seu foco atual é contribuir para que o novo governo Lula seja um marco histórico para o país.

Em resumo

  • Boulos rejeita cortes em áreas sociais e propõe taxar privilégios e rever desonerações.
  • O ministro defende que a governabilidade seja construída com o apoio das ruas e das redes sociais.
  • O grupo político de Boulos discute o futuro dentro do PSOL devido a divergências internas.

Fonte: Folha de S.Paulo

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