Política · Segurança

Servidores municipais confessam ameaça de envenenar água de indígenas após vitória de Lula

Funcionários públicos de Tacuru (MS) admitiram à Polícia Federal terem gravado áudios com ameaças contra a comunidade Guarani-Kaiowá.

Foto: Brasília – Lideranças e representantes da etnia Guarani Kaiowá Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil · Original e licença

Dois servidores da Prefeitura de Tacuru, em Mato Grosso do Sul, confessaram à Polícia Federal (PF) a autoria de áudios que circulavam em grupos de WhatsApp com ameaças de envenenar a água da Aldeia Sassoró, habitada por indígenas Guarani-Kaiowá. As mensagens foram disseminadas logo após a confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições.

Segundo apuração do jornalista Matheus Leitão, do portal Metrópoles, os investigados reconheceram as gravações durante depoimento, mas tentaram minimizar o caso alegando que estavam embriagados no momento. Em um dos áudios, um dos servidores chega a declarar: "Tem que por veneno na água, tem que matar essas pragas na água". Eles também sustentaram que não teriam condições reais de executar a ameaça.

Diante da gravidade do caso, a Prefeitura de Tacuru afastou os dois funcionários de suas funções. O prefeito Rogério Torquetti (PSDB) confirmou que, além do afastamento, ambos respondem a processos administrativos disciplinares. O gestor ressaltou que os servidores não possuíam atribuições ligadas ao sistema de abastecimento de água da comunidade indígena.

O episódio integra um cenário de preocupação com a segurança dos povos originários. Dados da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) apontam mais de 30 denúncias de violência e intimidação contra comunidades indígenas durante o período eleitoral, o que levou o governo federal a mobilizar uma força-tarefa e enviar ministros ao estado para monitorar a situação.

Em resumo

  • Servidores de Tacuru admitiram à PF ameaças de envenenar água de indígenas.
  • Áudios foram gravados logo após a vitória de Lula nas eleições.
  • Prefeitura afastou os envolvidos e abriu processos administrativos.
  • Investigados alegaram embriaguez como justificativa para as falas.

Fonte: Brasil 247

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