Diplomacia em crise: Amorim vê pior momento histórico na relação com a Argentina de Milei
O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, avalia que a postura do governo argentino sob Javier Milei deteriorou os laços bilaterais, embora o Brasil mantenha a cautela e evite entrar em embates públicos desnecessários.

Foto: Celso Amorim Crédito: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados · Original e licença
A diplomacia brasileira avalia que o relacionamento com a Argentina atravessa sua fase mais delicada e negativa de toda a história. Segundo o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Celso Amorim, a responsabilidade por esse cenário recai sobre a postura adotada pelo governo de Javier Milei. O diplomata pontuou que, enquanto o Brasil busca manter a normalidade, o comportamento do líder argentino foge aos padrões esperados entre nações vizinhas.
Um dos pontos que ilustram esse distanciamento, na visão de Amorim, foi o fato de a Argentina ter sido a única nação sul-americana a ignorar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, omitindo qualquer cumprimento oficial. Para o assessor, essa atitude não pode ser justificada apenas por diferenças ideológicas, já que outros governos de direita na região mantiveram a cordialidade diplomática com o Brasil.
Apesar do clima hostil, o governo brasileiro decidiu não responder às provocações na mesma moeda. Amorim enfatizou que não há interesse em alimentar um bate-boca público, preferindo que o presidente argentino fale sozinho. O governo, contudo, não ignora os movimentos estratégicos de Buenos Aires, especialmente a aproximação militar com os Estados Unidos. A possível instalação de uma base estadunidense em solo argentino e a adesão ao projeto Escudo das Américas são vistas com preocupação por Brasília, embora o Brasil respeite a soberania do país vizinho em suas escolhas.
No campo prático, o Brasil segue aberto à cooperação em áreas estratégicas, como a nuclear, e nega qualquer retaliação comercial contra os argentinos. A tensão poderá ser um pano de fundo na reunião de chanceleres do G20, em Atlanta, onde o ministro Mauro Vieira e o representante argentino, Pablo Quirno, devem se encontrar. Amorim indicou que não há uma diretriz rígida para o ministro brasileiro, cabendo a ele decidir como agir caso o assunto surja durante o evento.
Em resumo: - Celso Amorim aponta que a relação com a Argentina vive seu pior momento histórico devido à postura de Javier Milei. - O governo brasileiro evita confrontos públicos, mas monitora com cautela a aproximação militar da Argentina com os EUA. - O Brasil mantém o interesse em preservar cooperações técnicas e comerciais, apesar da ausência de diálogo diplomático por parte de Buenos Aires.
Fonte: Brasil 247

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